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20/04/2015

Deus é um standard de Jazz?

Lerdo como uma tartaruga, cá estou comentando os assuntos que você já deve ter cansado de ouvir falar. Eis que nos últimos dias, Ed Motta deu um piti em seu facebook reclamando da presença de brasileiros em seus shows no exterior. Como sempre, aqueles que adoram atirar a primeira pedra (e as seguintes) malharam o pau e o execraram, mesmo quando, tendo visto o imbróglio causado, o artista resolveu pedir desculpas. Não adiantou muita coisa, já que as Sheherazades da vida sempre pregaram que, já que falhou, que arque com as consequências. Não me admiraria se hackeassem Ed e jogassem na rede possíveis nudes seus. 
O quê? Defendendo um cara que não valoriza o Brasil? Não, não é bem assim. Há muita coisa que pode ser debatida a partir do fato ocorrido. 

Sim, Ed Motta errou feio, errou rude, mas não exatamente em tudo. Sua conclusão é errônea, assim como o modo com que se expressara. Entretanto, é fato que muitas vezes o público, digamos assim, extrapola. Algumas pessoas passam da conta na bebida, outros, por sua vez, não são profundos conhecedores da obra do artista que vêem; tal como chamamos hoje em dia, esses são os posers. Alguns espectadores são comumente invasivos, invadem palcos, camarotes, mesmo quando o artista, depois de uma apresentação exaustiva, só precise de uns cinco minutos de descanso. Não raro, aparecem na mídias matérias sobre complicações entre artistas e seus fãs, ou mesmo questionamento de quão fãs estes fãs são.
O problema, como disse, é a conclusão feita pelo cantor. Ao pedir que brasileiros não mais o acompanhem, digamos assim, ele cria uma espécie de redoma, uma sacralização de sua música - algo que, ao meu ver, é bastante nocivo. Tal comportamento é bastante comum na literatura; muitos artistas partilham da opinião de que a literatura e arte são sagrados, afastando os "pobres mortais". O mais engraçado é que, vez ou outra, os mesmos artistas reclamam de não serem compreendidos pelo público em geral. O importante a perceber aqui é isto: os artistas que acreditam na sacralização da arte tendem a impedir a aproximação do público. Por outro lado, percebendo a falta de boa vontade do artista, o público se afasta e, oportunamente, produz sua própria expressão artística no intento de se satisfazer. Ou seja, Ed Motta, embora certo em se chatear com a conduta de alguns espectadores, erra feio em se sacralizar. Ora, não dizem que Deus é brasileiro? Então por que Deus só ouve standards de jazz? Por que não um pancadão do MC Pikachu? Ou será que, de fato, Deus não está nem aí para o Brasil?
Continuando com a hipótese de um Deus brasileiro, acredito que, em toda sua sapiência, Deus deva tratar a "brasilidade" com a complexidade que lhe é merecida, ou seja, sabendo da pluralidade de um povo que vive em um país tão extenso e singular. O brasileiro do José de Alencar não exclui o de Cláudio Assis, que não exclui o de Villa Lobos, nem o de Mano Brown, Vanessa da Mata, Ana Paula Valadão e, claro, também não exclui o de Ed Motta. Ao ter um comportamento excludente com relação aos diversos tipos de público, acabamos por tirar dele a oportunidade de se abrir a novas experiências artísticas e intelectuais, o que é de fato muito salutar tanto para a arte quanto para o público. A troca de experiências acontece o tempo todo, basta observarmos o quanto mais artistas tendem a se "misturar" uns com os outros. Tom Zé, só para ficar em um exemplo, já colaborou com Mallu Magalhães, Emicida e tantos outros, sem uma necessidade de manter uma hierarquia e sacralização do que faz. Talvez Ed Motta teria sido mais feliz em sua conclusão se tivesse agido com o bom humor visto em seu show recente, tirando-lhe as neuras da cabeça e tornando sua apresentação mais aprazível a gregos e troianos.

Por outro lado, nós deveríamos prestar atenção a uma coisa em especial: o fato de um artista ter posições contrárias as nossas não deveria ser motivo para falar mal de sua obra. Ed Motta é um cantor muito bom, um compositor de extrema qualidade. Dizer que, por causa de suas afirmações, ele é apenas um gordinho chato que tem inveja do tio ou coisa assim me faz lembrar daquele boy que foi xingar muito no twitter porque o Restart, segundo ele, não prestava mais por causa de um problema na entrada do show da banda. Ou seja, é necessário saber dissociar o artista de sua obra. O artista é humano, falho, faz merda como qualquer um de nós. Sua obra, por outro lado, possui características distintas, que representam um recorte da realidade. Ao rechaçar a obra de um artista por causa de coisas que tal artista disse ou fez, lembre-se de que Lewis Carrol tem sua obra (Alice no País das Maravilhas) adorada até nossos dias, mesmo tendo sido pedófilo.  

Sendo assim, vejamos que a arte não é algo sagrado. O artista, muito menos. É importante deixar de ser passional às vezes e manter um pouco de paralelismo e coerência na hora de fazermos nossas avaliações, ainda mais em tempos de ânimos exaltados que temos vivido. Deus está para todos (considerando que exista) e, definitivamente, está mais para samba do crioulo doido do que para standard de jazz. 

Amém. ☺

Deixo vocês com um pouco da obra do grande Ed Motta, sensível e intimista, em seu Chapter 9. 


08/11/2014

Glorificando o híbrido (Parte II)

Atençao! Atenção! A discussão a seguir possui altos níveis de spoiler! Se você ainda não viu/ leu as obras aqui discutidas, cuidado. 


Tudo bem que nessa parte da nossa dicussão nem seria tão necessário avisar sobre spoiler, já que pode se dizer que todo mundo viu a trilogia Matrix. Sendo assim, pulamos uma introdução mais detalhada e vamos olhar mais de perto os eventos finais de Matrix Revolutions, último filme da série. 
Matrix deixou uma legião de fãs, mas também deixou dúvidas e lacunas com sua estética mais preocupada em sugerir do que em afirmar algo. O resultado é que até hoje temos muitas interpretações sobre o desfecho. É quase unânime a opinião de que os acontecimentos do final são bastante confusos, o que me fez lembrar também do desfecho de Evangelion e sua viagem cheia de parabéns. Proposital ou não, a confusão existe e acabou por enriquecer a obra. 
Destre os principais pontos de confusão, podemos citar o fato de a existência de Neo não ser questionada. Na verdade, o tempo todo os personagens nos sugerem que sabem bem quem ou o que Neo é, mas nós temos essa resposta com convicção, ainda mais quando lembramos de que Neo conseguira usar seus poderes fora da Matrix. Caso semelhante acontece com o Agente Smith. A pergunta que fica é: Neo é um programa? Um humano? Tais questionamentos acabaram por fazer com que alguns espectadores acreditassem que a realidade onde Neo vive também estivesse sendo uma simulação, ou seja, a chamada teoria da Matrix dentro da Matrix

O que propomos aqui é que algumas respostas a estes questionamentos podem ser encontradas ao observar os procedimentos narrativos do filme. É possível que em algumas obras fantásticas ou com elementos próximos dele, possuam algo que destoa da linearidade esperada, algo que "não bate" com o que se apresenta, algo que fere e transgride as leis do que o leitor/ espectador define como real. Ele não obedece à realidade, mas no entanto continua lá e, até certo ponto, permanece imcompreensível. Se tomarmos como base essa transgressão da realidade aqui comentada e relacionando-a aos eventos de Matrix Revolutions, é possível ter uma nova interpretação do que é Neo. Ele é o elemento fantástico, ele não é um programa, mas também não é um humano; é, na verdade, uma fusão, um ponto de convergência ou transição entre eles: é o híbrido. De acorodo com o que vemos na série, o híbrido vence, ele é o escolhido, está acima dos demais e, sendo assim, o único a romper com o sistema social que vemos. A revolução vem da união. 
Curioso é que Smith também levanta as mesmas questões, mas ele não quer salvar ninguém: quer corromper, destruir. À primeira vista isso derrubaria a nossa tese, mas por outro lado a enfatiza,  já que ressalta que o purismo de um humano ou programa se mostra insuficiente perto de alguém com as caracteríscas dos dois. Percebamos o quanto de novos caminhos abrimos olhando sobre esse ponto de vista. 
No próximo capítulo, veremos que Matrix não está tão distante assim de Kill la Kill. Até breve!
Segue uma musiquinha aí pra animar.


Continua...

01/05/2013

Pé (e arte) no chão (parte I)



Saudações a todos os leitores, o Blog do Shirukaya está de volta à ativa! O tempo ficou curto e acabou por criar um limbo de alguns meses, mas finalmente eis aqui mais diversão e debate. Volto percebendo boas oportunidades para discutirmos e refletirmos sobre literatura e artes em geral. Um dos assuntos interessantes para debate é o que originou essa nova série de posts. Pé (e arte) no chão pretende refletir sobre todos os elementos de composição de nosso gosto, ao menos, no que tange à arte. Sem mais delongas, vamos nessa!

Tem se destacado na mídia a notícia de que uma das maiores musas do funk carioca, Valesca Popozuda (foto), virara objeto de estudo por parte de uma mestranda  da UFF. A polêmica começou a partir das manifestações de outras pessoas nas redes sociais e de formadores de opinião. Uma manifestação que ficou bastante popular foi a da âncora do Jornal do SBT, Rachel Sheherazade. Vale a pena ver o vídeo para enriquecermos o debate. 

De um lado, a ala conservadora da sociedade aplaudia de pé tal posicionamento, afina, para eles, é de uma pouca vergonha inefável que coisa tão abominável, como Valesca Popozuda,  possa ter o status de corpus de um trabalho científico - fato que só serve para provar o quanto o PT emburrece nosso alunado. Em contrapartida, a outra ala rechaçou com todas as suas forças o comentário da jornalista, posto que, segundo eles, gosto não se discute e é por nos metermos nas predileções alheias que o mundo está assim, todos impedidos de ir e vir e ameaçados por aqueles ditos defensores da moral e dos bons costumes. Percebamos que, a maior parte do tempo, as opiniões de ambos os grupos são bastante extremistas, muitas vezes com propósito mais partidário do que qualquer outra coisa que os possa engrandecer. Podemos pegar tal conflito como ponto de partida, já afirmando: apesar dos avanços que temos, independente de nossas preferências políticas, morais, religiosas, etc, ainda sofremos por não conseguirmos nos desvencilhar de uma organização binária do nosso pensamento, ou seja, ainda pensamos, em pleno terceiro milênio, que "quem não está comigo está contra mim". Esse é um dos males que ainda não conseguimos destruir e, por isso, ainda temos manifestações de preconceito que poderiam ser erradicadas. 
Ora, se nosso problema é exatamente esse binarismo, como proponho, bastaria então resumir esta série de posts ao "gosto não se discute"? Não. Qualquer reducionismo pode ser válido apenas como referência rápida, mas na prática torna raso e reificado qualquer tipo de pensamento, induzindo mais uma vez ao binarismo. Posto que gosto não se discute, há outras coisas que podem nortear nossas reflexões, sem que haja repulsa de sua parte, meu leitor. É o que veremos em nossos próximos capítulos. Por hora, quem quiser deixar algum comentário, sinta-se à vontade. Vejam os vídeos e vamos que vamos!


continua...

17/07/2012

Primeiros passos do rap nos anos 10 (parte II)

Sua antiga banda, o Planet Hemp, já se mostrava como um projeto que queria vôos mais altos do que os apresentados na mistura pesada de rap e rock somada ao discurso pró-legalização da maconha em Usuário (1994). Assim, B Negão montou seu projeto com os Seletores de Frequência, enquanto Marcelo D2 (foto) resolveu seguir carreira solo. Nesta, o músico buscou fundir sons de rap e hip hop a bases de sambas antigos, o que fez com que as pessoas começassem a lhe perceber além do que já se via no Planet Hemp. Mas foi apenas quando A procura da batida perfeita chegou às lojas que a reviravolta começou. O disco cumpriu com maestria a proposta de mistura de gêneros e gerações que já vinha sendo montada, graça, inegávelmente, ao amparo de uma superprodução assinada pela Sony Music (em tempos de desprezo às gravadoras, tal sucesso poderia nos fazer pensar até onde este desprezo é necessário, não?). O resultado fez com que Marcelo D2 fosse de maconheiro sem futuro a ícone pop. Musicalmente falando, isso talvez se deva, além da produção já comentada,a essa uniao de ritmos que, conforme falava-se, tinham raízes muito parecidas. A proposta abriu margem para uma sofisticação do até então rústico rap que se fazia no país, levando o ritmo a outros patamares além do underground. Acredito quea saudação aos mestres ajudou muito e aproximou todos desse tipo de música. D2, como diria Chico Science, modernizava o passado, abrindo as portas para que novos rumos fossem tomados num gêneroa aida muito restrito, mesmo com sua popularização via Racionais MCs. 

Continua...



31/05/2012

Desencapetando o riso (parte V)

Não gosto de comédia, pois é um gênero inferior, não requer técnica nem estudo


Sim já ouvi coisas como essas um sem número de vezes. Aristóteles proferiu que o trágico é belo, ou seja, que a beleza estética muito em a ver com a retratação de temas sérios, muitas vezes perpassando ao drama. Ok, o trágico é realmente belo, não há como não se emocionar lendo as mais clássicas tragédias gregas ou mesmo os dramas mais famosos do cinema. Não raro até simpatizamos mais com aqueles artistas que possuem/ possuíram vidas tão sofridas quanto às retratadas em suas obras. Entretanto, rir é algo inerente ao ser humano. Rimos desde antes de falar. Mesmo assim, somo sempre ensinados a guardar nosso riso no âmago mais profundo do nosso subconsciente. E dessas reservas acabamos dando origem a um legado que existe até nossos dias: o do "rir é feio". Dentre as principais justificativas dessa corrente, destacamos agora a que dá subtítulo a esse post. Há a ideia de que fazer rir não requer esforço, técnica, tratamento estético, estudo, etc.Vejamos alguns exemplos.


Charlie Chaplin foi um dos grandes, um ator, excepcional, um humanista e... um comediante de mão cheia! Acima um  trecho de O grande ditador, mostrando que mesmo a guerra pode ser motivo de riso e que o humor também requer grandes doses de talento e técnica. 


Já resenhada aqui, a Pola Oloixarac ganhou destaque pelo tom satírico de seu primeiro livro que satiriza na mesma proporção com que convida ao debate a sociedade argentina sobre a juventude perdida entre as brigas políticas, discussões acadêmicas extremas e a superexposição à informação proporcionada pela internet. É comum ver diálogos de algumas páginas (sim, páginas!) para expressar ideias mínimas, exemplificando o discurso hipster-pseudointelectual da juventude vigente. Vale a lida.


Por fim, ouçamos o koenjihyakkei, que também já passou neste humilde blog. A banda japonesa dá tons de punk rock da forma mais lúdica possível ao seu som, que é extremamente trabalhado, basta que reparemos na qualidade técnica empregada pelos músicos - fato que já é uma das características do Zeuhl. Enfim, aquele que ouvir terá a impressão de que os músicos estão realmente brincando com suas músicas; o resultado é uma viagem frenética, uma bagunça muito bem feita e divertida, especialmente em seus minutos finais. 
Mais exemplo? Que tal se você, querido leitor, puxar algum para o debate? A seção de comentários está a sua espera!


Confira também as partes I, IIIII e IV.


23/05/2012

Futuro do passado


Há quem diga que modernizar o passado é uma revolução musical. Tal afirmativa parece contraditória, mas se vocês, meus amigos, pararem um pouquinho para observar (ou para ouvir, já que estamos falando hoje de música), perceberão que fazemos isso o tempo inteiro. O artista é refém do qaue já passou e dialoga intertextualmente (e muitas vezes inconscientemente) com toda a produção estética que lhe precedera. Parece bobagem discutirmos algo tão óbvio, mas vira e mexe aparece  alguém que acredita que o futuro é autônomo e que ainda há algo que não tenha sido criado. Sendo assim, discutamos, a partir dessa postagem introdutória, a importância da originalidade. Para tanto, puxei como primeiro exemplo uma banda que é tida por muito como original: os Smashing Pumpkins. É realmente surpreendente que os álbuns da banda não se pareçam entre si, o que em muitos momentos fez com que a crítica especializada a acusasse de "atirar para todos os lados". Por outro lado, discos como adore já mostram uma beleza incrível, partindo
 da união entre futuro e passado, ou seja, de instrumentos de tecnologia de ponta, geralmente de timbres eletrônicos e pasasgens acústicas. Evidentemente você também perceberá essa premissa em vários artistas, Wilco, Radiohead, etc. Essas bandas estão sempre nas citações de quem fala sobre o futuro, sobre as novas tendências, pois fazem algo que ninguém costuma fazer. De fato, essa vertente futuro-retrô é bem mais consistente do que a onda de bandas que teve destaque nos anos 00, que se resumiram a pastiches dos Stones/ The Who/ Led Zeppelin nos estados unidos e do post-punk dos 80 na Inglaterra. Entretanto, isso faz dela uma obra que se possa dizer original? Eis a questão, vejamos o futuro casando-se com o passado através da arte e discutamos.


15/05/2012

José Inácio Vieira de Melo e sua poesia

Povo, tenho estado bastante atarantado com obrigações extras por aqui, fora uma baita dor de dente, mas isso não é motivo para deixá-los órfãos de postagens. Sendo assim, curtam o vídeo do poeta e amigo José Inácio Vieira de Melo recitando seu poema "Gênese". Nas palavras do próprio: "GÊNESE, poema de José Inácio Vieira de Melo (JIVM), recitado por Danilo Spínola, Flávia Ribeiro e José Inácio, que erra o último verso do seu poema. Esta gravação foi feita por Haroldo Abrantes, grande fotógrafo, no dia 11 de maio de 2012, na cidade de Maracás, após o projeto Uma Prosa Sobre Versos com os poetas Martha Galrão e Raimundo Gadelha"


20/04/2012

Como foi o Sarau do Café em Verso e Prosa



Grandes amigos leitores deste blog, cá estou eu pára um pequeno parecer sobre como foi o Sarau do Café em Verso e Prosa da última terça, em homenagem ao Núcleo Literário CAIXA BAIXA
Primeiramente: saiumatéria sobre o sarau em vários jornais de João Pessoa, mas um deles disse que o homenageado por Suzy Lopes e cia. seria o "Poeta Caixa Baixa". Achamos o ocorrido muito engraçado, visto que CAIXA BAIXA não é um poeta, e sim um grupo de contistas, ficcionistas, ensaístas, historiadores, cineastas, juristas, críiticos literários, jornalistas, bebuns e... poetas. Claro que não é necesario citar isso tudo numa nota de jornal, mas um poquinho de informação nunca fez mal a ninguém, não é verdade?
De mais a mais, começando por volta das nove da n oite, boa parte desse grupo se fez presente para receber os louros de homenageado. Lá estávamos este que vos fala, Thiago Lia Fook, Bruno Gaudêncio, Gustavo Limeira, Letícia Palmeira, Cyelle Carmem, Joedson adriano, Romarta Ferreira e Laudelino Menezes. Nomes da litPB também estavam por lá, como Lau Siqueira e Ed Porto. Todos com suas cervejinhas e com biquinho calado para assistir às performances da atriz Suzy Lopes, declamando poemas e trechos de prosas dos caixabaixenses. Destaque para a declamção inspirada de "Agora é tudo azul", da pequena Romarta Ferreira - e à luz de velas, diga-se de passagem. Tudo isso contou com um esquema inusitado. Por todo o bar, o Empório Café, várias caixas confeccionadas com fotos e poemas aguardavam leitura. A maior das caixas serviu de dado, girada à exaustão por Suzy para sortear aquele autor que seria declamado. Após isso, o microfone foi aberto e lá soltamos o verbo, como sempre, junto a todos os amigos e convidados que lá estavam. Já em vias de conclusão, todos riram e aplaudiram muito os vídeos do CAIXA BAIXA, destacando sempre o já sucesso "Teu nome", poema de Thiago Lia Fook graciosamente interpretado por Betomenezes (vídeo que você confere ao fim desta postagem). 
Enfim, terminou um sarau muito divertido e que, com certeza, deixou as bochechinhas de cada um de nós vermelhas de lisonja e certos de que, quem sabe um dia, cheguemos a ser caixa alta. Até lá, vamos nos divertindo e sorrindo pra esse povo que conhece e gosta da nossa lira ferina. Nosso nome não é suave. É isso aí.



Fotos: (1) Da esquerda pra direita: Letícia Palmeira, Gustavo Limeira, eu, Bruno Gaudêncio, Suzy Lopes, Thiago Lia Fook, Romarta Ferreira e Cyelle Carmem, sob as lentes de Bruno Vinelli; (2) Suzy lendo o conto de Romarta à luz de velas.

14/04/2012

Desencapetando o riso (parte IV)


Ah, que saudade daquele humor inocente...

Bem, amigos, cá estou para analisarmos um pouquinho mais o que há de certo/errado com o humor, com a comédia, com o riso no mundo das artes. O subtítulo que evocamos aqui hoje é para comentarmos um discurso que tem sido muito famoso nos dias de hoje, visto que estamos seguindo uma tendência um tanto rigorosa para que não sejamos "ofensivos" com aqueles que não nos são iguais. As implicações desse discurso são simples: humor tende a ser rechaçado, pois caçoar dos outros não tem (ou não deveria ter) graça nenhuma. Entretanto, se repararmos direitinho, o chiste se mistura a generalizações e estereótipos desde muito tempo (peço desculpas por não ter dados que nos mostrem desde quando isso acontece). Na piada  acima vemos que há menção a deficientes, fato que pode ser ofensivo. A meu ver, temos de destacar uma expressão aqui: pode ser, não é, necessariamente. Já foi dito uma vez que rimos desse tipo de piada por causa de certo "alívio" que ela nos causa, do tipo "puxa, ainda bem que não foi comigo", de modo semelhante a quando rimos de alguém que tropeça no meio da rua (você riu da mulher de laranja?). Isso necessariamente não implica em repúdio ao alvo da piada, o que acontece desde sempre. Não há, acredito eu, motivos para se sentir saudade daquele tempo do humor "menos apelativo". Não é de hoje, por exemplo, que brincamos com os portugueses, assim como eles brincam conosco, brasileiros. 
Um bom exemplo desse discurso e que já vi em várias redes sociais é gente dizendo que "bom mesmo era na época do Chaves, pois não tinha dessas coisas". Talvez a coisa seja aí mais para "naquele tempo eu não percebia que tinha dessas coisas".
Bullying (todos os personagens são sacaneados; Kiko por ser "burro", Chiquinha por ser baixinha, Chaves por ser pobre, D. Clotilde por ser velha e assim por diante), violência contra a criança (Chaves apanha direto), incitação à inadimplência (Seu Madruga não paga o aluguel, Jaiminho mal entrega as cartas por mera preguiça), são muitas as "acusações" que, se quiséssemos, poderíamos utilizar para dizermos que não gostamos do seriado, mas, no entanto, ele é o ganha-pão do SBT há décadas, repetindo a mesma fórmula. Resumindo: parece que as nossas convicções morais estão confundindo um pouco as coisas. Um humorista que faz piadas com negros, por exemplo, nem sempre será um daqueles racistas que lhe negam um emprego por causa da sua cor; um que faça piada sobre deficientes nem sempre será aquele homem que estaciona na vaga dos cadeirantes ou que finge que está dormindo para não lhe dar lugar no ônibus. Assim, como tudo nessa vida, parece que nossa principal deficiência tem sido a falta de bom senso. Reflitamos. 



 Confira também a parte 1 , a parte 2 e a parte 3.


03/04/2012

Desencapetando o riso (parte III)

É sempre bom respeitar os mais velhos?


Vamos nessa para mais uma postagem da série sobre riso, humor e comédia nas artes. Hoje mostraremos algumas palavras sobre a comum idéia de que existem coisas que são intocáveis e que jamais devem ser satirizadas/ parodiadas/ canonizadas. Já falamos na postagem anterior um pouco sobre isso, mostrando que algumas mudanças históricas por que passamos criou uma "demonização" do riso em si. Essa demonização se propaga até hoje, criando um repúdio enorme ao humor. A questão mais específica aqui é: um cânone é intocável?
Nos útlimos tempos a grande autora inglesa Jane Austen tem "sofrido" maus bocados nas linhas de novos escritores que dispuseram-se a parodiar suas obras. Os mashups têm se tornado muito famosos, mas comumente têm sido rechaçados pelas nobres academias de letras e por muitos intelectuais que vinculam essas obras à subliteratura. Estaria eu dizendo que estas novas obras são novos cânones? Evidente que não; basta observar direitinho que, por comporem uma linha de aceitação mais direta (e rentável), muitas vezes a qualidade literária que tanto prezamos é deixada de lado. Bom, não nos importa agora avalia-los. O que tento mostrar é que essas obras de humor paródico necessariamente não implicam obras ruins. Para exemplificar, por que não observar o que a tão parodiada Jane Austen pensa? Bom, como ela já não está entre nós, resta-nos entender um pouco de seu pensamento através de seus próprios escritos.
Katherine Morland, a protagonista de A abadia de Northanger, vive numa cidadezinha pequena onde pouco se tem pra fazer além de ler os livros da estante dos pais. Essa prática cria uma leitora viciada em romances góticos, tão viciada a ponto de fazer com que ela viva fantasiando uma aventura envolvendo todos os clichês deste tipo de história. Um conhecedor da lira ferina da autora perceberá logo a marionete que a protagonista vira em suas mãos. Tudo isso para quê? Para parodiar os romances góticos que tanto dominavam a sua época!
Assim, o que veremos neste romance é uma chuva de frustrações que tem a intenção de fazer com que o leitor ria. Sendo a ironia de Austen tão sutil quanto conhecemos, isso pode não ficar tão claro à primeira vista. Mas uma vez percebida, prepare-se para o riso. Pouco importará se Katherine terá um final feliz com seu par amoroso; a graça em ver uma mocinha descobrindo a vida adulta se metendo em confusões por sua imaginação fértil já se incrustrará no leitor. E quanto a questão que levantamos aqui? Ora, será que, se Austen, uma das escritoras mais respeitadas por sua qualidade e importância, parodiava toda uma tradição literária do séc. XIX, por que um escritor contemporâneo não pode fazer o mesmo com uma de suas obras? No fim das contas, os aspectos temáticos pouco importam, pois qualquer julgamento passaria apenas pelo gosto do leitor, a qualidade literária só será comprovada avaliando-se os procedimentos estéticos utilizado por aquele que "ousa" satirizar o cânone. 
E então, o que me dizem? A seção de comentários é de todos vocês! No mais, deixo um videozinho de uma pouco conhecida adaptação fílmica do livro, só para deixar vocês instigados. Amplexos.




 Confira também a parte 1 e a parte 2.






















16/12/2011

Sexo e violência, baby! (parte VI)


Ressucitando séries que estavam no limbo deste blog, voltamos a falar sobre o uso do sexo e da violência nas artes, saindo da literatura, dos animes e da píntura para comentar um pouco do cinema. Desde nosso primeiro post sobre o assunto trabalhamos com idéia da inevitabilidade de fuga destes dois temas, dada a força com que estão presentes em nossa vivência. A aproximação da arte com o sexo e a violência só tem a contribuir para a verossimilhança, nesse sentido, enriquecendo o filme e evitando que fiquemos com aquela sensação de pudicícia exacerbada que comumente criticamos nas novelas, por exemplo. Para tanto, pegarei três filmes para a nossa observação em que a violência está permanentemente presente, mas se articula de modos distintos. 
O ano de 2002 viu nascer um filme que chocou platéias mundo afora pelo impacto de suas cenas de violência. Na verdade, os choques de Irreversível (Foto 1 - Direção: Gasparnoé) podem ser resumidas a duas: a cabeça de um dos personagens sendo esmagada por um extintor logo na primeira sequência do filme e o perturbador estupro de Alex, personagem da Monica Belucci, em que os mais sensíveis podem facilmente desistir de manter os olhos abertos. Pois bem, aqui podemos perceber que a pujança das cenas está a serviço do experimentalismo estético exposto pelo diretor, já que toda a montagem do filme por si só já amplia o desconforto do espectador propositalmente. A primeira sequência é nauseante, graças a imprevisibilidade de movimentação da câmera, movendo-se no ir e vir dos protagonistas dentro de um bar atrás do alvo. A própria montagem cria toda essa repulsa para ao decorrer do filme a desfazer, chegando a um final que beira a candura de tão suave que se apresenta. O filme, nesse sentido, pode ser visto como uma experiência na observação das diferentes impressões/ reações que pode causar ao espectador.

Baixio das bestas (2006 - Foto 2), de Cláudio Assis, tem crueza da cabeça aos pés, mas muito pouco estilizada, fato esse motivado por sua postura extremamente naturalista. A violência é exibida como forma de denúncia da violência que comumente ocorre nas nossas sociedades, aqui, em especial, à violência das cidades da zona da mata pernambucana. A montagem, portanto, é muito pouco ousada, mantendo-se o mais distante possível dos fatos, a maior parte do tempo, contribuindo para o tom quase jornalístico do filme. Destaque para a bela cena do estupro de Auxiliadora, personagem de Mariah Teixeira, no fim do filme. A moça, menor de idade que "era filha do avô", sofre abuso por parte do protagonista do filme, um típico agroboy (playboy do interior canavieiro). Pena que não se tenha escolhido a mesma crueza na cena da morte da personagem interpretada por Dira Paes, o que me parece uma suavização não condizendte com a ambientação proposta pelo filme. Mas isso deixamos para outra hora.

Destoando ainda mais, a violência em Kill Bill (2003 - Foto 3), de Tarantino, já aponta um caminho totalmente estilizado, usando e abusando dos exageros e recursos cinematográficos, o que cria um tom de paródia ou, pelo menos, de humor. A reverência ao estilo dos grandes filmes de luta orientais é flagrante; o grotesco é transformado em diversão, o que faz com que o espectador não tenha desconforto algum. A montagem apenas favorece essa perspectiva, como por exemplo na culminância das lutas A Noiva X O-ren Ishii e Noiva X Go Go Yubari (deixo essa última luta no vídeo abaixo, só como aperitivo).
Sendo assim, comentemos mais sobre o uso da violência nas artes. Tem exemplos? Contesta algo dito? A hora é agora! Até mais!



 
Relembre a série Sexo e violência, baby! Parte I - Parte II - Parte III - Parte IV - Parte V.
 

21/11/2011

Sobre "Vinho lilás"

Contos, contos e mais contos! Prova de que a "corda no pescoço", isto é, a sobrecarga de tempo, podem sim fazer bem e estimular a criatividade de alguma maneira. Conto escrito para participação na reunião do Clube do Conto desta semana, Vinho lilás é mais uma adaptação. Desta vez a canção adaptada é um clássico do cenário indie, a balada Lilac Wine, do espetacular Jeff Buckley. Sendo assim, temos a história de de alguém que chora e sofre pela confusão interna que vive. A moça aguarda o esposo para um jantar de reconciliação, o tempo passa, quando ela, já desgostosa e embrigada, se dapara com ele abrindo a porta. E agora? Bom, a música deve dar pistas do que se sucede. Então, deixo vocês com ela. Abraços.





19/10/2011

Como foi o III Sarau do CAIXA BAIXA






Amigos, rolou no último sábado, dia do professor, o II Sarau do CAIXA BAIXA, desta vez debutando na cidade de Campina Grande - PB. O ambiente azulado ficou muito interessante, embora, como vocês podem perceber no vídeo, prejudique um pouco a nitidez. Serve, no saldo como registro. Destaque para as inspiradas contribuições da platéia e de betoteuinomenãoésuavemenezes e Roberto Denser. Aprecie e comente.

Vídeo produzido e editado por Bruno R. R. Santos.

16/09/2011

David Kilder de aniversário!



Bom dia, pessoal! Hoje destaco para vocês que é uma data mutio especial para o rock itambeense (ele pode ter morrido, mas seus vivenciadores continuam lá): sopra 30 velinhas hoje o grande amigo e ex-vocalista da banda Simbiontes, David Kilder. Este foi um dos primeiros a dar a cara a tapa numa região interiorana que pouco conhecia de bandas que não fossem aquelas em que o teclado era capaz de tudo, de gravar guitarras voz até aplaudir pelo público.  A banda persistiu por um tempo, mas sucumbiu à onda inóspita que ressecou as marés roqueiras de Itambé, Pedras de Fogo e região. Mesmo assim, Kilder continua com outros projetos, mais modestos, é verdade, mas que continuam propagando de alguma forma a cultura aos que o cercam. Parabéns, Kilder!
Segue abaixo um vídeo com ele e sua banda (eu no meio) tocando a grande cover do The Who.

Dakid Kilder
Idade 30 anos
Atividades: funcionário público, mestre de RPG, vocalista.
Histórico de bandas: Simbiontes, participações espéciais com Soul Sick e Orfeu.
Atualmente: paradão, cuidando da filha recém-nascida.
 

28/08/2011

Sobre "Perfeição"

A tempestade produtiva não pára!  Esta semana a crição de contos, que andava um tanto estagnada, caminhou com certa velociadade. O último fruto desta caminhada  foi o conto Perfeição, que também faz parte da minha leva de adaptações, sendo a primeira feita a partir de uma música. Para adaptar a clássica - e bela - Venus as a boy, da Björk, busquei um clima bastante intimista, procurando não esquecer o fantástico já que a música tematiza a figura mitpológica mais sexy de todos os tempos. O conto traz a história de uma moça numa mesa de bar, aguardando o marido que saiu para fazer algo de que ela não tem conhecimento. Então um rapaz de beleza incrível se aproxima e a convida para uma louca viagem. Assim que possível, exibo este texto para que vocês julguem os resultados desta viagem. Para inspirar, deixo o vídeo do texto-fonte. Até a próxima!




02/08/2011

CAIXA BAIXA e a vídeo-poesia

Olá. Acredito que o pessoal que acompanha as atividades do Núcleo Literário CAIXA BAIXA já tenha percebido que o grupo agora tem lançado semanalmente pequenos vídeos promocionais em que uma pessoa é convidada para declamar o poema de um dos escritores do grupo. Acredito que, ao menos por enquanto, só tenhamos mesmo poesia nestes vídeos, veremos se haverá espaço para alguns contos no futuro. A proposta é lançar um vídeo todo sábado no blog do CAIXA BAIXA. Os que se interessarem visitem o site e comentem, dêem sugestões para os novos vídeos. Deixo vocês com os dois vídeos disponibilizados até aqui. Divirtam-se. 



14/07/2011

Fujahrá! ou Como foi o Tuba Livre II - Goiana PE (parte II)




Continuando a matéria sobre o 2º Tuba Livre, em Goiana, deixo vocês com o vídeo da performance feita já no palco. Apreciem.

12/07/2011

Fujahrá! ou Como foi o Tuba Livre II - Goiana PE (parte I)






O festival Tuba Livre, quem homenageia o falecido músico e agitador cultural Tubarão, em sua 2ª edição na cidade de Goiana - PE, contou com a performance "Fujahrá" do Silêncio Interrompido. Estive por lá e em meio a muito vinho flauta e incenso, fiz este video que traz o aquecimento atrás do palco, ritual pra índio nenhum botar defeito. Logo, postarei o que rolou no palco do evento.

24/06/2011

Poema de Félix Maranganha no banheiro





O poeta do CAIXA BAIXA Félix Maranganha também recitou seu poema "Minhas faces que coram VI - O povo" no I Sarau do CAIXA BAIXA, ocorrido no mês de maio em Cabo Branco - João Pessoa. Confiram aí.

09/06/2011

"Poesia sem pele" em Campina Grande (parte II)

Vídeo da matéria da TV Itararé sobre o lançamento de Poesia sem pele de Lau Siqueira, em Campina Grande - PB. 

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