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23/01/2017

Resenha: Ventre urbano (Letícia Palmeira Lizziane Azevedo - org.)




Conheço um pouco do contexto literário da Paraíba para afirmar sem medo de equívoco que ela, ao menos no que diz respeito à literatura, caminha muito longe de projetar as mulheres que se enveredam por essas áreas. Basta o leitor puxar à memória e verá que, do clássico José Lins do Rego aos contemporâneos Rinaldo de Fernandes, Arturo Gouveia e Roberto Menezes, os nomes das mulheres não costumam circular. Talvez tenha sido essa a motivação por trás de Ventre Urbano (Penalux, 2016), coletânea de narrativas curtas compostas de autoras contemporâneas paraibanas ou radicadas no estado organizada pelas escritoras Lizziane Azevedo e Letícia Palmeira. Comentaremos agora um pouco do resultado da coletânea.

            Evidente que em antologias os critérios de seleção dos autores são sempre controversos e tidos como injustos. Por causa disso, talvez alguns leitores estranhem o elenco de Ventre Urbano pela ausência de alguns nomes, como a conhecida Marília Arnaud e a premiada Renata Escarião, mas receberá em troca novos (e bons) nomes para acompanhar, tais como Mayara Vieira e Romarta Ferreira (ainda inéditas, ou seja, sem nenhuma publicação individual), somadas às estreantes no gênero, já conhecidas pela poesia, Anna Apolinário, Cyelle Carmem e Amanda Vital. Como cereja do bolo, Maria Valéria Rezende, premiada com o Jabuti de 2015, também dá as caras. O resultado que se têm é, como já enfatizado, bem comum: ausências sentidas, mas presenças que trarão boas surpresas.

            De um modo geral, a antologia se apresenta muito bem e cumpre sua premissa de dar visibilidade à produção literária das mulheres na paraíba. Saliento também que mesmo a capa é assinada por uma artista local, Luyse Costa, e dá uma impressão muito boa à obra. Entretanto, a coletânea se vende como feminista – a julgar pela introdução feita pela organizadora:


Eu preciso ser feminista para defender o que muitas mulheres, do passado que pouco sabemos, defenderam. Eu, que queria apenas fazer festa à literatura, me vejo na necessidade de dizer que, embora muitas mulheres ainda estejam vivendo na miséria e no silêncio, nós estamos aqui para que suas vozes sejam ouvidas (p.17).


            Contudo, parece não ter sido uma preocupação das autoras, já que isso não é tão presente assim nos textos (há algumas exceções, falaremos delas mais à frente). Talvez a presença de uma convidada mais engajada à luta e aos estudos de gênero (Débora Gil Pantaleão, por exemplo) engrandecesse esse propósito.

Essas primeiras observações não são o foco da minha resenha, deixo isso a alguém mais especializado em estudos feministas, citando aqui apenas para suscitar reflexões das mais diferentes aos leitores. O foco elegido aqui, sendo assim, será o conto em si, tentando deixar de lado dados biográficos e características das autoras (até porque muitas delas são minhas amigas pessoais, não seria interessante tomar isso como critério de valor).

            Como já afirmado, é natural que antologias oscilem em seus resultados, e com Ventre Urbano não é diferente. Há narrativas muito boas e interessantes e outras mais fraquinhas. Para não tornar essa resenha muito vaga, apresento uma breve análise de cada um dos contos, seguindo sua ordem de apresentação.




Pipoca doce, Amanda Vital

Relato memorialístico, um tanto sucinto e sensível, o que é bom para aqueles que creem na brevidade da narrativa curta. Entretanto, o conto em questão se apresenta breve demais, dando a impressão que autora perdeu o fôlego e não sabia como prosseguir, o que dá ao conto mais cara de poema. Até aprecio cruzamento entre gêneros, mas acredito que aqui precisaríamos de um pouco mais de ousadia para tanto. A invocação às deusas, algo bastante clichê no mundo da poesia, no início da narrativa também não me parece contribuir muito para o relato. O conto perde um grande tema (as memórias de infância da narradora) pelos problemas apontados.


Relicário, Anna Apolinário

Outro relato de memórias, desta vez com uma narradora que usa como gatilho para os devaneios um livro vermelho numa biblioteca. De tonalidade erótica, a linguagem atrapalha um pouco esse clima por ser um tanto tímida, formal, empolada. O conto ganharia mais força se buscasse representar a sordidez das memórias de desejo através da linguagem, o que deixaria a narração menos pudica. Um ponto forte é a tematização do corpo, tão comum na escrita feminina e feminista, o que pode enquadrar a narrativa nas exceções às críticas que fiz no início desta resenha.


Pássaro sem asas, Cyelle Carmem

Aqui temos a história de uma moça que recebe um telefonema e decide pegar a estrada retornando a seu lugar de origem. O relato aqui já é bem estruturado, peca apenas em ter um desfecho bastante previsível. 


Parapeito, Letícia Palmeira

Uso quase incessante de discurso indireto livre não parece ser do agrado da maior parte dos autores, talvez pela sua dificuldade de elaboração ou pelo estranhamento que pode causar a leitores mais incipientes. Entretanto, aqui temos um exemplo do domínio da técnica, bastante frequente nas outras obras da autora – técnica que faz um relato tão simples como o de uma garota que invade o apartamento de um rapaz para se atirar janela abaixo se tornar expressivo, pujante pelos cruzamentos de vozes e questionamentos que engrandecem a tensão e o tom um tanto lúdico do desfecho. 


Requiem aeternam, Lizziane Azevedo

Talvez o melhor conto da coletânea. Narrativa crua, sem excessos, casa perfeitamente com a temática escolhida que também é uma exceção ao que critiquei no início desta resenha. Aqui o viés feminista é bem mais flagrante, já que traz um retrato da violência doméstica, mais especificamente contra a mulher. O desfecho também traz à tona essa perspectiva pragmática e trágica da vida, tornando um conto bastante representante daquilo que podemos chamar de "literatura de denúncia". 


Valete de Copas, Maria Valéria Rezende

Uma narradora que se encanta com a figura de uma carta de baralho. Conto curto e direto, com um leve pezinho no fantástico, o que faz com que o leitor se divirta cruzando a linguagem denotativa e referencial com a alegórica. 


O armário da memória, Mayara Vieira

Outra vez um conto de memórias, mas aqui com uma abordagem mais pragmática. A estrutura clássica também agradará aos que preferem narrativas curtas à Poe e Quiroga. A narração é bastante sucinta e o final não desaponta.


Quimeras de Clarice, Mayara Almeida

Talvez o relato mais fraco da coletânea, estruturado em mini capítulos que deixam a narrativa longa e enfadonha. Espera-se que o leitor se atenha ao longo do conto, mas o desfecho frustra as expectativas por ser extremamente óbvio. 


O elevador, Mirtes Waleska

O mesmo desfecho do conto anterior aparece aqui, o que pode provar como esse tipo de final é um lugar comum. Entretanto, problemas que aparecem em alguns contos comentados não aparecem aqui: somos apresentados a uma narradora que relata seu encontro com uma moça num elevador de seu prédio. A temática mais apegada a questões de gênero também pode agradar a quem se interessa sobre o assunto. A linguagem também se apresenta direta, sucinta e não parece distante ou tímida ao tratar de questões afetivas. 


E agora?, Romarta Ferreira

Aqui temos a história de uma criança narrando as rusgas entre seu pai e seu avô, com linguagem lúdica e direta, que contribui para o bom desfecho. Com relação ao tema deve agradar pela rara escolha de crianças protagonistas na literatura adulta. 


Trocadilhos, Sammely Xavier

Um término de namoro. Apresenta-se até interessante graças à abordagem metalinguística do narrador, mas vai ser perdendo a um desfecho fraco. Também poderia ter um pouco mais de conflito para engrandecer o final.



A conclusão que tiro de Ventre Urbano é que temos aqui um bom catálogo de autoras, com propostas interessantes para o conhecimento dos leitores. Convém salientar o que digo sempre em minhas resenhas: as críticas aqui apresentadas não são um ataque a qualquer autora, tampouco significam que a autora é ruim, apenas denotam que, a meu ver, o texto não foi feliz e que nessa vez a autora errou a mão. A oscilação da coletânea talvez se justifique pela quantidade de autoras estreantes na narrativa curta, mas muitas delas já mostram certa afinidade com o gênero. Também há contos muito bons e que atestam a maturidade das autoras mais experientes e revelam novas promessas que dão seus primeiros passos. Recomendo a leitura a todos os que quiserem conhecer mais sobre boa parte da produção literária paraibana.








01/03/2016

Shortinho? Por que não?


Nos últimos dias uma polêmica teve grande repercussão: alunas de um colégio de Porto Alegre protestaram pelo uso de shortinhos no ambiente escolar. Como ficar se comunicando através de memes pelo facebook não parece ser algo prolífico, discutamos um pouco a reivindicação delas.


SHORTINHO DEVERIA SER PERMITIDO HÁ MUITO TEMPO

Ao ler a manchete sobre a manifestação, chamou-me a atenção uma primeira coisa: ela se deu no extremo sul do país, ou seja, um lugar de clima predominantemente frio. À primeira vista, o protesto sequer faria sentido. Mas só à primeira vista. O clima de nosso país é relativamente alto, chegando a sensações térmicas altamente desconfortáveis em algumas épocas do ano. A maior parte do tempo, vestimentas pesadas como são boa parte dos uniformes escolares são muito ruins. Como vocês devem saber, atuo também como professor, e na escola onde trabalho não raro questiono a diretoria sobre o porquê de, em pleno Nordeste, os alunos (e professores e demais funcionários) terem de ir obrigatoriamente de calça comprida ou saia abaixo do joelho (para moças evangélicas). Vez ou outra, é comum que, num ambiente desses, algum aluno desses passe mal pelo calor. De um modo geral, a direção desconversa, a discussão fica uma outra hora. Dado o clima de nosso país, sempre me pareceu bobagem impedir um aluno de ir com short, bermuda, saia ou blusas sem mangas. Caso o problema fosse a falta de um uniforme específico que facilitasse a identificação dos alunos, por que não confeccionar uniformes mais "flexíveis"? Da mesma forma que muitas escolas proporcionam jaquetas para o clima frio, não me pareceria absurdo oferecer shorts/ bermudas em épocas mais quentes. 
Oh, wait! Esquecemos de algo muito importante para nossa discussão: apesar de o calor ser um bom argumento para a permissão do shortinho, não é exatamente essa a justificativa das alunas em questão. Há algo maior nesse debate.

DISCUTAMOS GÊNERO NAS ESCOLAS

Sejamos sinceros: muitas justificativas para a proibição de shortinhos são machistas. Certa vez, em reunião de pais, uma das pautas pedia que instruíssemos os pais a não permitir que suas filhas viessem com roupas ditas inadequadas à aula, pois, "os menininhos estão em fase de crescimento, hormônios em ebulição" e "não queremos que eles mexam com as nossas meninas"; É preferível à direção da escola pedir que as meninas se cubram do que instruir os meninos a respeitar o espaço das suas colegas. Trocando em miúdos (e presumindo que essa seja a realidade de boa parte de nossas escolas), continuamos difundindo aquilo que os estudos feministas definem como "cultura de estupro": a mulher não pode dar motivos para que seja molestada. quando isso acontece, ela é dita culpada e o homem apenas está seguindo seu instinto. Francamente: que somos atraídos por alguém é verdade, temos nossos instintos (ou pulsões, se preferir um termo mais freudiano). Entretanto, não nos resumimos a felinos ou qualquer outro animal. Podemos (e temos a obrigação) de raciocinar e refletir sobre o que é ético e/ou moral no contexto em que vivemos. Se isso  não é verdade, então estaríamos ainda na barbárie. Sendo assim, dizer que o homem assedia a mulher "por instinto" é um argumento invalido. 
A manifestação das alunas gaúchas é bastante pertinente por mostrar como somos toleráveis com tantos comportamentos diferentes quando vêm de homens, mas os rechaçamos se vistos em mulheres. Fica bem claro que se fossem os meninos que se manifestassem para usar bermudas ou shorts nas escolas, o argumento do calor de que falei mais acima estaria na boca de boa parte das pessoas, que lhes dariam apoio incondicional. Como se trata de meninas protestando, falamos que "estão protestando pelo direito à pouca vergonha" ou que "mesmo a educação do jeito que está, elas preferem protestar por causa da porra de um shortinho" (mesmo que esqueçamos dos protestos em ocupações de escolas em São Paulo e em Goiás). Isso mostra como uma manifestação por algo tão simples pode escancarar a todos os nossos preconceitos e nosso esforço na manutenção de um contexto desfavorável às mulheres.
Questões como essas poderiam ser evitadas se discutíssemos mais questões de gênero nas escolas. O grande problema é que a maior parte das pessoas (e isso inclui os professores e gestores) é incipiente no assunto, deixando essa tarefa a cargo de uns pouco entusiastas que ainda tenham boa fé de esclarecer o alunado. Por outro lado, boa parte dos leigos se informa de maneira altamente deturpada, acabando por acreditar que discutir gênero é o mesmo que "ensinar putaria nas escolas" (como se alguém precisasse ir à escola pra aprender putaria, né?). É importante falarmos sobre gênero para que cada um de nós reconheça suas diferenças e, através do respeito dessas diferenças possa ainda assim proporcionar um ambiente mais igualitário. 



MOMENTO OPORTUNO PARA A DISCUSSÃO

A polêmica vem em boa hora. Discutir sobre uso de shorts, saias, blusas de alcinha, bermudas e camisetas regatas é importante. Também serve para uma roda de alunos e professores para testemunharmos suas vivências e entender quais são suas reivindicações. e quando elas têm a ver com questões de gênero, acredito ser muito cruel de nossa parte agir como aqueles prefeitos que protelam pagamentos. É impressionante ainda o número de evasão escolar por causa de uma escola que falha em seu papel de inclusão. Evidente que não falha só por isso (basta observarmos a superlotação e falta de estrutura), mas não podemos simplesmente empurrar com a barriga. Isso seria, em grande parte, falhar com sua função de professor. É comum que, ao fazer a chamada em sala de aula (leciono para crianças entre 10- 16 anos), alguém responda "Fulana não vem mais. Casou". Ora, e casar seria motivo para abandonar os estudos? "O namorado/marido não deixa ela vir mais não". Ou seja, o namorado/ marido sabe das coisas, sabe que a escola permite o assédio e perpetua o machismo que ele mesmo, do alto de seu cinismo, faz questão de difundir, alegando que não tem culpa, pois já foi criado assim e não tem como mudar.  Se nós, professores e gestores, continuamos cegos a isso, podemos ter certeza que não entendemos muita coisa de pedagogia.
Nem de shortinho.


PS: estou ciente de que o colégio onde aconteceu a manifestação das alunas é privado e, por isso, pode muito bem recomendar o tipo de roupa que lhe aprouver. Entretanto, isso em nada fere a discussão, pois serve tanto para a revisão das normas de cada uma das instituições privadas como para as públicas.


13/02/2016

Considerações sobre racismo, linguagem e sociedade







A nossa maneira de lidar com com questões sociais importantes têm sido bastante afetada com a popularização das redes sociais e graças ao seu caráter ironicamente tendencioso ao comportamento antissocial. Pretendo explicar melhor esse ponto em postagens futuras, mas para nos situarmos aqui, a ideia de que falo é que a nossa superexposição às redes sociais acaba fazendo com que nossa visão de mundo seja deturpada, ampliando sensações de estresse e até mesmo de paranoia.
Nos últimos tempos temos vistos vários casos que requerem bastante cautela na análise a fim de evitar equívocos e prejulgamentos. Como vimos, artistas negros promoveram um boicote ao Oscar pela falta de indicação de artistas de sua etnia. Outro caso mais recente, já aqui no nosso pais, causou polêmica: um pai e uma mãe vestiram uma fantasia de Abu em seu filhinho negro para o carnaval, recebendo uma enxurrada de comentários maldosos e até ameaças. O que a repercussão desses eventos nos ensina? O de sempre: a preocupação em construir séquito ainda mais importante do que, de fato, estudar maneiras de minimizar o preconceito. Portanto, vamos aqui tentar aprofundar um pouco essas questões. Por praticidade, focaremos mais a questão do racismo, mas o que é dito aqui pode ser muito bem aplicado em outras formas de discriminação: machismo, homofobia; escolha a que achar melhor, apenas atento às devidas especificidades de cada um.


1 AD HOMINEM NUNCA MAIS

Não adianta: enquanto nos apegarmos aos autores do que aos seus argumentos, perpetuamos os mesmo preconceitos contra os quais lutamos. Nesse artigo você encontrará algumas críticas a como temos lutado contra o racismo. Se lhes dissesse que o autor dele é branco, provavelmente seria rechaçado com mais facilidade; talvez nem lido, compartilhado apenas com um #nojo #fascista ou coisa do tipo.Mas não é o caso. Quem vos fala é um negro. E isso, para nossa discussão, não deveria ser relevante. Sendo assim, vamos nos ater sempre às ideias e esqueçamos posturas que diminuam a consistência das nossas reflexões.


2 SAUSSURE, BENVENISTE E PRECONCEITO

Para entender como funciona o racismo (ou qualquer forma de discriminação, como já propomos), é necessário entender como funciona o discurso, a linguagem. O discurso é dinâmico, sofre influência de todos os elementos a seu redor, e, por este motivo, não tem como ser estudado estaticamente. Isso seria o mesmo do que descontextualizar por completo uma situação e julgá-la sem observar a complexidade que ela possui. Ferdinand Saussure, conhecido "pai da linguística", mostrou que o signo linguístico (ou palavra, se preferir) é formada de significante (a imagem acústica, ou seja, o conjunto de sons e letras que nos remetem a determinado conceito) e significado (o conceito, a ideia por trás do significante). Para exemplificar, a palavra cadeira tem nessa sequência gráfica e sonora seu significante, mas seu significado é a ideia que nos vem à mente quando nos deparamos com ele. Como dá para prever, a quantidade de significados pode ser maior (cadeira pode ser um assento ou uma nádega avantajada, ou uma disciplina da nossa faculdade) O que tiramos de lição aqui? Que graças ao uso criativo que fazemos da nossa linguagem, um signo linguístico pode ter inúmeros significados.
Sendo assim, o que definiria expressões como "a coisa tá preta" (foto2)? Simples: seu contexto. Em outras palavras dizer que a coisa "tá preta não" é racismo, mas pode ser usada em algum contexto específico para discriminar alguém - aí sim caracterizando o preconceito.
Entender por que as palavras per se não são ofensivas requer entender todos os mecanismos de composição de um contexto. Recomendo uma olhada aprofundada nos conceitos de enunciação e enunciado, propostos por Emíle Benveniste. Como falamos aqui de forma mais lacônica, um aprofundamento pode ser muito útil e encontrado aqui.


Um enunciado pode ser uma frase, uma cena, uma imagem, uma situação, qualquer coisa que transmita uma mensagem. Entretanto, todo enunciado só pode ser compreendido perfeitamente ao observarmos o processo de enunciação, ou seja, seu contexto. Lembra da Viviany Beleboni (foto 3)? Por que sua performance foi acusada de "cristofóbica"? Por que seus acusadores a julgaram desprezando todo e qualquer contextualização, como se só a "afronta a cruz" importasse quando na verdade a atriz transexual dialoga com o símbolo da cruz para sugerir que pessoas marginalizadas, como ela e Cristo, sofrem/ sofreram pelo julgamento de quem detém o poder.
E você? se sente ofendido por causa de um buraco negro ter esse nome? Deveria pensar duas vezes, pois você também está desprezando o contexto. Buraco Negro (e energia escura também) são termos da Física a não ser que alguém desvirtue seu significado criando um outro contexto, eles não são símbolos de racismo. Vale lembrar que a palavra negro não se refere exclusivamente à etnia.
Ou seja, para caracterizar uma situação ou enunciado como discriminador, é imperativo não desprezar tudo que compõe a enunciação: quem é o sujeito da enunciação? Onde ele estava? Quando? Com quem? Em que circunstâncias? Como dá para reparar, o assunto é complexo, e são várias as apurações, tal como um delegado ferrenho ou jornalista competente e sem preguiça, que temos de fazer. E como dá pra prever, ninguém que passar tirar a bunda da cadeira ou gastar mais que um like para averiguar o enunciado por completo. Por causa disso, é fácil perceber como as pessoas perdem mais tempo julgando umas às outras em linchamentos virtuais (ou até presenciais), em vez de dar ao assunto a devida seriedade que ele exige.


3 SE AS PALAVRAS ISOLADAS NÃO TEM SIGNIFICADO, ENTÃO NÃO EXISTE RACISMO?

Claro que existe. O ponto não é este. Nos comportamos como crianças no caça-palavras à procura do racismo, mas esquecemos das coisas de que falamos aqui. Um enunciado isolado não têm significado. Comentá-lo sem noção de toda a enunciação é mais problemático, pois deturpa seu primeiro significado, trazendo  um novo à discussão. Por exemplo, quando nos deparamos com uma fotografia em um jornal, ela já traz um significado. A partir do momento que compartilho a foto acompanhada de um comentário, eu estou alterando seu significado, estou criando um novo contexto. Talvez por isso a foto da criança fantasiada de Abu (não coloco a foto aqui para preservar a imagem da criança) tenha parecido ofensiva a algumas pessoas. Entretanto, ao que me parece, o contexto não representava uma situação de opressão, visto que os pais não a fantasiaram na intenção de lhe causar vexame, humilhação pública. Pelo contexto, todos parecem se divertir, é um ambiente lúdico. Talvez os pais possam ter sido um pouco imprudentes, já que estavam em local público e poderiam ser mal interpretados (e acredito que foram mesmo), mas isso está longe de caracterizar aquele contexto como racista e de depreciação da figura da criança. Sendo assim, reforçamos a ideia de que, caso não tenhamos noção de todo o contexto de uma cena ou mensagem, se torna impossível concebê-lo como discriminatório. Dois negros que se conhecem e são amigos, por exemplo, podem fazer piadas que, ouvidas em outra circunstância, poderiam ser facilmente tidas como ofensivas. Entretanto, isso não acontece, pois o discurso é consensual, tal como quando "rimos da nossa desgraça", ironizamos e satirizamos o contexto, e no fundo não concordamos com ele. As mesmas piadas proferidas por um branco que não conhece o negro já se mostraria ofensiva, pois não há relação consensual entre ambos, tal como quando nos ofende ser alvo de piadas de qualquer pessoa com quem não tenhamos intimidade. O mesmo vale para piadas homofóbicas, machistas, etc. O consenso entre os participantes daquele contexto elimina a discriminação. Sendo assim, a piada (ou qualquer forma de expressão), funciona como uma faca: pode ser usada em nosso benefício para preparar alimentos ou para ferir o meu semelhante. Todavia, se alguém comete um crime, por que insistimos em tentar punir a faca?

4 POR QUE RESISTIMOS TANTO EM ADMITIR QUANDO SOMOS RACISTAS?

Porque racismo é crime, e ninguém quer ser preso. Poderíamos parar nessa afirmação, mas vamos dar mais pano para a manga. Como dissemos, a palavra é dinâmica e, por isso, pode ter mais de um significado. E quando pensamos em racismo, geralmente o que nos vem à mente primeiro é a abordagem jurídica da coisa, ou seja, estamos falando do crime de racismo. Olhando por esse prisma, admitir um comportamento racista seria confessar e requerer a própria reclusão. Isso explica porque tantas pessoas vivem se escondendo em chavões para não parecerem más (e para não aprovarem uma possível lei de criminalização da homofobia, por exemplo), tais como "afff, vocês vêem racismo em tudo", "o mundo anda muito chato" "calma, foi só uma piada". Porém, a palavra não tem apenas o significado jurídico, mas também social, sociológico. Por esse lado, o racismo não é necessariamente crime, embora possa ser usado como motivação tal. Por exemplo, uma pessoa que acha que negros são todos vagabundos está sendo racista, mas não necessariamente criminosa. Por outro lado ela pode usar esse ponto de vista para querer "justificar" uma atitude criminosa de fato, tal como impedir uma pessoa de ir e vir (expulsá-la de um shopping, por exemplo) por sua diferença étnica. 


5 ANALISAR COM CALMA E DISCERNIMENTO SEMPRE

Como vemos, o assunto é complexo e graças ao dinamismo da linguagem, necessita de que observemos cuidadosamente caso a caso, evitando a deturpação de contextos. Parece difícil e cansativo, não é? Mas quem disse quer seria fácil lutar contra a discriminação?
Oportunamente, podemos discutir novos tópicos sobre o tema. Até lá!




01/01/2016

2016: o que vem por aí




Saudações, amigos! Sei que o blog anda meio parado. Tive  muitos problemas que me desmotivaram a tocar as coisas aqui, mas nesse início de ano tentarei aparecer um pouco mais. Para começar, um resumo do que ando fazendo e que pode se concluir esse ano.
Livros novos?
Com certeza! Tem um livro de contos prontinho, faltando pequenos retoques. Trata-se de uma coletânea de contos fantásticos.
Estou escrevendo (e já em fase bem avançada) um novo romance. Parece que depois de Ascensão e queda o gênero me pegou de jeito. Entretanto, o foco não é mais a música, mas sim questões sobre gênero e sexualidade. Para que gostam de explicações mais pedantes, seria "uma problematização do espectro de gênero a partir de um contexto distópico" (risos) não sei se fica pronto esse ano, mas caminha bem.
No campo da crítica literária, depois do lançamento de Diacronia: ensaios sobre ficção científica no fim do ano passado. Eu e João Matias de Oliveira devemos elaborar uma nova coletânea, agora voltada a estudos sobre o terror. 
Há também um novo projeto para contos, mas ainda está muito raso, assim que conseguir consistência, comento algo sobre ele. 
Aguardem aí que esse ano temos muita coisa boa.

31/07/2015

A importância das epígrafes



O processo de produção de um texto em prosa requer atenção a diversos recursos que utilizamos para a construção de uma obra perfeita - ao menos aos nossos olhos. Dentre esses recursos disponíveis em nossa paleta de cores literárias, lá estão as epígrafes. Esses texto pretende divagar um pouco sobre a função delas na narrativa.
Seria possível ao escritor conceber a epígrafe como uma espécie de termo acessório, visto que ela não chega a ser algo de presença obrigatória (realmente, em arte é muito difícil acreditar que algo tenha a obrigação de estar presente). Entretanto, o bom escritor pode fazer uso de uma epígrafe de forma que a desloque da condição de acessório para a de essencial à diegese. Conta-se que boa parte dos escritores ainda veem a epígrafe como um adorno, "cereja de bolo" ou algo do tipo, o que enfatizaria a nossa visão dela como termo acessório. Entretanto, é possível considerar tal recurso como indissociável da narrativa vigente, se levarmos em consideração os estudos de Wayne C. Booth, que dizem, não bem com essas palavras, que epígrafes, notas de rodapé (ao menos as do próprio autor ou mesmo de um personagem da trama), títulos, elementos de composição secundária fazem parte de uma "ótica" criada especificamente para aquela obra. Se levarmos em consideração esse ponto de vista, fica difícil não prestar atenção à importância de uma epígrafe, bem como de sua relação com os acontecimentos narrados.  
Sendo assim, a epígrafe ganha função que vai muito além de "capturar a atmosfera" da obra, podendo até servir de prolepse (antecipando eventos importantes que ainda serão apresentados ao leitor) ou ironizar um contexto ali exibido.
Alguém que leve em consideração esse tipo de interpretação textual tenderá a sempre buscar compreender a função estética de uma epígrafe específica. O autor, por sua vez, se sentirá forçado a pensar essa mesma função, o que abre um novo plano de diálogo entre autor, obra e leitor. Penso, por exemplo, na epígrafe de Deixe-me entrar, de John Lindqvist:

I never wanted to kill
I am not naturally evil.
such things I do
Just to make myself
more attractive to you.
have I failed?
Morrissey, Last of the famous international playboys.

Percebamos a relação intertextual entre a obra de Lindqvist e a epígrafe, retirada de uma canção do Morrissey. A ideia de matar para tornar-se mais atraente a quem amamos ganha dimensões diferentes ao considerarmos que Deixe-me entrar conta a história de um vampiro (as adaptações para o cinema são também bastante conhecidas). Não quero encher esse texto de spoilers, mas convido o leitor a examinar com mais cuidado a força que tem a epígrafe nessa narrativa. 
No mais, ao leitor, deixo aqui a sugestão de prestar mais atenção ao recurso estético de que falamos. Talvez, fosse divertido selecionar suas epígrafes preferidas. Já ao escritor, sugiro a observação minuciosa de seu texto, perguntando-se até onde é necessária uma epígrafe e, caso ela exista, que relações semânticas eu apresento a meus leitores a partir dela.

01/05/2015

Redução da maioridade civil: seria possível?


Nos últimos dias, consultei alguns amigos sobre a possibilidade de ampliar o leque de assuntos a discutir aqui no blog. Muitos temas foram sugeridos e resolvi comentar um  pouco sobre eles. Para iniciar essa nova fase, resolvi comentar algo que tem levantado polêmica em nosso país: a redução da maioridade penal. 

Sempre que alguém inicia essa discussão logo se posiciona. Para não fugir ao costume, farei o mesmo: sou contra a redução. Entretanto, pretendo analisar uma das justificativas mais repetidas pelos defensores da redução, conforme exemplifico em um tweet que podia ser o seu ou de qualquer outro colega:



Façamos uma reflexão mais voltada a esse discurso em especial. O sujeito afirma que um menor de 16 anos deveria poder ser preso, já que também pode votar. Qual o problema de tal afirmação? O mais comum de muitas opiniões emitidas pela internet: não paralelismo, ou seja, não é coerente. Eis a seguir o porquê.
Dentro da afirmação temos duas ideias principais que estão sendo comparadas e postas erroneamente em pé de igualdade. A primeira diz respeito ao fato de um menor poder votar e a segunda de poder ser preso e julgado como adulto. Na primeira nós temos um direito civil, o de poder votar e eleger seus governantes; na segunda, uma obrigação, uma punição. Diante disso fica impossível que a comparação tenha lógica já que são distintas. Se quiséssemos uma comparação mais coerente, deveríamos comparar o ato de poder ser preso com outro que pudesse levar o menor a prisão, ou seja, deveríamos relacionar um castigo com um crime, não com um direito. 
Provada a incoerência discursiva, peguei-me pensando se, ao invés de partirmos de uma comparação acerca do crime, partíssemos dos direitos. Ora, já que a maior parte da população se declara a favor da redução da maioridade penal (tanto que essa lei deve sim ser aprovada), por que não lutamos pela "redução da maioridade civil", ou algo assim? Posto que, segundo essa parte da população, ele pode ser penalizado por um crime, já que pode votar (como se votar fosse também um crime), por que não pedir que todas as "vantagens" de um maior de idade lhe sejam concedidas? Ora, se um menor de 16 anos pode votar, também poderia casar, comprar, comercializar e consumir álcool; dirigir; prestar concurso público; casar sem autorização dos país; consumir e comercializar pornografia; portar (desde que preencha os demais pré-requisitos) armas de fogo; viajar de avião sozinho, entre tantas outras coisas que os "adultos" podem fazer. Já que a redução da maioridade penal lhe traria uma cerca de novas situações em que pudesse ser visto como criminoso (um jovem de 16 namorando uma garota de 14, por exemplo), por que não lhe permitir que, por outro lado, desfrute de uma condição de civil maior de idade aos 16 anos? Você seria contra isso?
Independente de sua resposta, perceba que as ideias expostas aqui estão mantendo certo paralelismo, ou seja, tentando ser mais lógicas. O que se mostra aqui não é exatamente uma campanha pró-redução da "maioridade civil", mas mostrar que a redução da maioridade penal acarreta uma reflexão bem mais complexa do que parece e, exatamente por isso, não deva corresponder às expectativas daqueles que a defendem.  Outras soluções deveriam ser sugeridas para maior eficácia no combate ao crime e na recuperação de menores infratores. 

20/04/2015

Deus é um standard de Jazz?

Lerdo como uma tartaruga, cá estou comentando os assuntos que você já deve ter cansado de ouvir falar. Eis que nos últimos dias, Ed Motta deu um piti em seu facebook reclamando da presença de brasileiros em seus shows no exterior. Como sempre, aqueles que adoram atirar a primeira pedra (e as seguintes) malharam o pau e o execraram, mesmo quando, tendo visto o imbróglio causado, o artista resolveu pedir desculpas. Não adiantou muita coisa, já que as Sheherazades da vida sempre pregaram que, já que falhou, que arque com as consequências. Não me admiraria se hackeassem Ed e jogassem na rede possíveis nudes seus. 
O quê? Defendendo um cara que não valoriza o Brasil? Não, não é bem assim. Há muita coisa que pode ser debatida a partir do fato ocorrido. 

Sim, Ed Motta errou feio, errou rude, mas não exatamente em tudo. Sua conclusão é errônea, assim como o modo com que se expressara. Entretanto, é fato que muitas vezes o público, digamos assim, extrapola. Algumas pessoas passam da conta na bebida, outros, por sua vez, não são profundos conhecedores da obra do artista que vêem; tal como chamamos hoje em dia, esses são os posers. Alguns espectadores são comumente invasivos, invadem palcos, camarotes, mesmo quando o artista, depois de uma apresentação exaustiva, só precise de uns cinco minutos de descanso. Não raro, aparecem na mídias matérias sobre complicações entre artistas e seus fãs, ou mesmo questionamento de quão fãs estes fãs são.
O problema, como disse, é a conclusão feita pelo cantor. Ao pedir que brasileiros não mais o acompanhem, digamos assim, ele cria uma espécie de redoma, uma sacralização de sua música - algo que, ao meu ver, é bastante nocivo. Tal comportamento é bastante comum na literatura; muitos artistas partilham da opinião de que a literatura e arte são sagrados, afastando os "pobres mortais". O mais engraçado é que, vez ou outra, os mesmos artistas reclamam de não serem compreendidos pelo público em geral. O importante a perceber aqui é isto: os artistas que acreditam na sacralização da arte tendem a impedir a aproximação do público. Por outro lado, percebendo a falta de boa vontade do artista, o público se afasta e, oportunamente, produz sua própria expressão artística no intento de se satisfazer. Ou seja, Ed Motta, embora certo em se chatear com a conduta de alguns espectadores, erra feio em se sacralizar. Ora, não dizem que Deus é brasileiro? Então por que Deus só ouve standards de jazz? Por que não um pancadão do MC Pikachu? Ou será que, de fato, Deus não está nem aí para o Brasil?
Continuando com a hipótese de um Deus brasileiro, acredito que, em toda sua sapiência, Deus deva tratar a "brasilidade" com a complexidade que lhe é merecida, ou seja, sabendo da pluralidade de um povo que vive em um país tão extenso e singular. O brasileiro do José de Alencar não exclui o de Cláudio Assis, que não exclui o de Villa Lobos, nem o de Mano Brown, Vanessa da Mata, Ana Paula Valadão e, claro, também não exclui o de Ed Motta. Ao ter um comportamento excludente com relação aos diversos tipos de público, acabamos por tirar dele a oportunidade de se abrir a novas experiências artísticas e intelectuais, o que é de fato muito salutar tanto para a arte quanto para o público. A troca de experiências acontece o tempo todo, basta observarmos o quanto mais artistas tendem a se "misturar" uns com os outros. Tom Zé, só para ficar em um exemplo, já colaborou com Mallu Magalhães, Emicida e tantos outros, sem uma necessidade de manter uma hierarquia e sacralização do que faz. Talvez Ed Motta teria sido mais feliz em sua conclusão se tivesse agido com o bom humor visto em seu show recente, tirando-lhe as neuras da cabeça e tornando sua apresentação mais aprazível a gregos e troianos.

Por outro lado, nós deveríamos prestar atenção a uma coisa em especial: o fato de um artista ter posições contrárias as nossas não deveria ser motivo para falar mal de sua obra. Ed Motta é um cantor muito bom, um compositor de extrema qualidade. Dizer que, por causa de suas afirmações, ele é apenas um gordinho chato que tem inveja do tio ou coisa assim me faz lembrar daquele boy que foi xingar muito no twitter porque o Restart, segundo ele, não prestava mais por causa de um problema na entrada do show da banda. Ou seja, é necessário saber dissociar o artista de sua obra. O artista é humano, falho, faz merda como qualquer um de nós. Sua obra, por outro lado, possui características distintas, que representam um recorte da realidade. Ao rechaçar a obra de um artista por causa de coisas que tal artista disse ou fez, lembre-se de que Lewis Carrol tem sua obra (Alice no País das Maravilhas) adorada até nossos dias, mesmo tendo sido pedófilo.  

Sendo assim, vejamos que a arte não é algo sagrado. O artista, muito menos. É importante deixar de ser passional às vezes e manter um pouco de paralelismo e coerência na hora de fazermos nossas avaliações, ainda mais em tempos de ânimos exaltados que temos vivido. Deus está para todos (considerando que exista) e, definitivamente, está mais para samba do crioulo doido do que para standard de jazz. 

Amém. ☺

Deixo vocês com um pouco da obra do grande Ed Motta, sensível e intimista, em seu Chapter 9. 


03/03/2015

Lançamento de Ascensão e queda em Itambé - PE: 13/03/15!

Olá, pessoal!
 
Cá estou para informar que o romance Ascensão e queda, de autoria deste que vos fala, será lançado no próximo fim de semana em Itambé - PE. O evento acontecerá no Divisa Restaurante Bistrô, próximo a Policlínica Local, e acontecerá às 08h da noite. A apresentação será feita pelo poeta Philippe Wollney. A quem estiver por perto, apareça!
 
 
Serviço:
Livro: Ascensão e queda
Autor: Wander Shirukaya
ISBN: 978-85-7858-252-4
1ª Edição - Cepe Companhia Editorial
 
Local: Divisa Restaurante Bistrô
Rua Juiz Roberto Guimarães, 62.
Centro, Itambé - PE
Data: sexta, 13/03/2015, às 20:00h.
Apresentação Philippe Wollney
 
Ascensão e queda
O grande vencedor de 2014 é um romance que apresenta estrutura narrativa polifônica, com diversos narradores/personagens e uma temática não muito comum na ficção pernambucana, ao explorar um enredo memorialístico em torno das agruras e angústias existenciais de uma banda de rock diante do suicídio de seu líder e vocalista. Shirukaya demonstra grande domínio do universo da música e explora a linguagem própria desse grupo em uma narrativa ágil e permeada de referências à cultura pop.
 
Página do livro no facebook: aqui.

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