24/01/2012

Pola Oloixarac - As teorias selvagens


Demorou, mas finalmente sai uma nova resenha aqui em meu blog. A bola da vez é a musa nerd, a escritora argentina Pola Oloixarac, que a cada dia vem ganhando mais e mais destaque e, ainda bem, por sua incontestável qualidade literária. Sendo assim, vamos ao livro. 

Em tempos em que as pessoas tendem a se afeiçoar por livros de linguagem cada vez mais simples, fluida e concisa, as 240 páginas de As teorias selvagens (Benvirá, 2011), soam mais como um suicídio ou uma afronta sem tamanho. Talvez não seja o primeiro, mas com certeza o segundo tem sua razão de ser. A primeira coisa que impressiona o leitor neste romance é a dificuldade de leitura. A linguagem segue bastante truncada por muitas páginas, aproximando-o de uma produção acadêmica/ academicista. O hermetismo é tanto que faz com que encontremos ao longo da narrativa citações, referências bibliográficas e notas de rodapé. Observemos o trechinho abaixo:

Kamtchovsky observou que a difereça talvez se apoiasse na distância entre sufixos e prefixos. Uma geração de sufixos, como exibe a morfologia de "consciência-em-si" ou "consciência-para-si", centra sua atenção naquilo que resulta, que se solta a posteriori (a sintaxe não mente) da consciência; pelo contrário, uma geração seguinte que coloca a questão da consciência nos preconceitos inerentes de seu olhar opta pelo prefixo, pela característica prévia e intrínseca da mesma capacidade de raciocínio (p. ex. autoconsciência).  (p. 43)

Entretanto, como o leitor deve perceber, a difícil leitura está vinculada ao objetivo do livro de satirizar todo um grupo de acadêmicos que tendem a viver mais oumenos daquela maneira, em especial os da Universidade de Buenos Aires (me pergunto se há diferença entre lá e aqui nas faculdades brasileiras).  Assim, o que parece um romance de tese exacerbadamente prolixo se demonstra uma comédia romântica, uma crítica a uma sociedade que muito estuda e pouco faz, a ponto de não saber lidar com a memória de um povo, com os desdobramentos causado pelos anos de chumbo e, claro, com uma simples relação amorosa. Passado então o "susto" veremos o riso surgir quando vemos os discursos super qualificados dos protagonistas, a gordinha Kamtchovsky e seu namorado Pabst beirarem o ridículo. Aos poucos, o livro vai criando folgas em sua linguagem que permitem que o riso se apresente mais forte ainda; não é preciso indicar aqui que a ironia rola solta em muitos momentos. O humor fica bem mais claro quando passamos das citações de Marx e Kant à Jenna Jameson e Michael Jackson.
O ponto forte do livro me parece ser também seu ponto fraco, sendo assim um daqueles livros do tipo ame ou deixe-o, a linguagem hermética pode tanto atrair quantpo afastar o leitor; as citações a video-games, blogs e ícones pop também podem causar impacto semelhantes. O que fica é a certeza de lermos um livro que corrobora a afirmativa de que os estreitos e fronteiras entre a cultura pop e a acadêmica tem se transmutado ou até se diluído. Convido então você, amigo que lê este blog, a visitar esta grande (e bela) escritora e dar também o seu parecer. Amplexos.


2 pitacos:

Ainda não li, mas depois da resenha ela subiu alguns degraus na minha lista de leituras. Vamuvê se a moça é boa mesmo. Quero dizer, escritora, né? Porque boa ela é (e como*).

*como mesmo.

sim, bota boa nela. só pela foto na orelha do livro vc ja compra.

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