"Ascensão e queda": romance de estreia!

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Contos de Wander Shirukaya

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O híbrido e a arte

Animes, cinema e literatura

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30/07/2012

Desencapetando o riso (parte V)



O mafaldismo contemporâneo


Não me entendam mal.Esta série não está aqui para falar mal da queridíssima (sem ironia) Mafalda. Mas ela serve de mote para debatermos um poquinho mais sobre o riso e a comédia nas artes. Como já vimos comentando, rir era bom, mas com a dominação religiosa, rir tornou-se feio, demoníaco. É fato que após a Idade Média o mundo tem se aberto à diversidade de credos, mas o conservadorismo que se pregava parece não ter desaparecido. Ora, a questão aqui não é uma pregação política, não quero que você que acompanha essa série saia da direita para esquerda ou vice-versa. Apenas que repare como o maniqueismo e os extremismos parecem encobrir o bom senso quanto ao humor. 
Rimos e, como já discutimos anteriormente, esse riso não será sempre "certinho". O problema parece ser a carga de culpa que o conservadorismo vigente ainda nos impõe, fazendo crer que, caso eu ria de uma piada que não siga os padrões da ética, vá para o inferno ou - como é mais comum nos dias de hoje - vá à júri popular. Aí é que surge o perfil da piada perfeita; e assim é que Mafalda vem sendo canonizada nas redes sociais como exemplo humor inteligente. Uma criança que fala como um adulto idealista é a figura perfeita para confortar o cidadão que sofre com o jornalismo policial, que pega dois trens mais um ônibus para trabalhar e volta morto de cansado pensando em relaxar com algo que não lhe ofenda mais. Particularmente gosto muito da Mafalda e concordo que devamos sempre descansar depois do sofrer do caos cotidiano, mas isso não deveria polarizar a visão que se tem do humor. Muitas piadas não seguem o nosso padrão masculoeterobrancoclassemédia e nem por isso podem ser vistas como ofensivas. Até porque, sendo a piada também uma expressão artística, ela pode muito bem fazer uso do humor negro (ou politicamente incorreto) tanto para satirizar como para denunciar a condição em que vive a vítima daquela piada. Assim, não raro, negros fazem piadas racistas, gays fazem piadas homofóbicas e assim por diante, sem que possam ser vistos como racistas, homofóbicos e assim por diante. Uma piada é uma figura, uma ferramenta, uma arma; como se faz uso dessa piada já são outros quinhentos. O riso é livre, não deve ser demonizado, deve estar sempre na cara do demônio, da Mafalda ou de quem mais aparecer neste mundo. 

Continua...

Leia também a parte 1, parte 2, parte 3 e parte 4.

17/07/2012

Primeiros passos do rap nos anos 10 (parte II)

Sua antiga banda, o Planet Hemp, já se mostrava como um projeto que queria vôos mais altos do que os apresentados na mistura pesada de rap e rock somada ao discurso pró-legalização da maconha em Usuário (1994). Assim, B Negão montou seu projeto com os Seletores de Frequência, enquanto Marcelo D2 (foto) resolveu seguir carreira solo. Nesta, o músico buscou fundir sons de rap e hip hop a bases de sambas antigos, o que fez com que as pessoas começassem a lhe perceber além do que já se via no Planet Hemp. Mas foi apenas quando A procura da batida perfeita chegou às lojas que a reviravolta começou. O disco cumpriu com maestria a proposta de mistura de gêneros e gerações que já vinha sendo montada, graça, inegávelmente, ao amparo de uma superprodução assinada pela Sony Music (em tempos de desprezo às gravadoras, tal sucesso poderia nos fazer pensar até onde este desprezo é necessário, não?). O resultado fez com que Marcelo D2 fosse de maconheiro sem futuro a ícone pop. Musicalmente falando, isso talvez se deva, além da produção já comentada,a essa uniao de ritmos que, conforme falava-se, tinham raízes muito parecidas. A proposta abriu margem para uma sofisticação do até então rústico rap que se fazia no país, levando o ritmo a outros patamares além do underground. Acredito quea saudação aos mestres ajudou muito e aproximou todos desse tipo de música. D2, como diria Chico Science, modernizava o passado, abrindo as portas para que novos rumos fossem tomados num gêneroa aida muito restrito, mesmo com sua popularização via Racionais MCs. 

Continua...



11/07/2012

Sobre "A escuna voadora"

Pois bem, aos que acompanham este blog sabem que pouco me atrevo a escrever em alguns segmentos, não tanto por não gostar, mas por achar que ao me saio tão bem nestes quanto em outros estilos ou temáticas. O steampunk é um destes gêneros em que não me sinto tão à vontade, mas é fato que, graças a grandes discussões sobre o gênero que tenho tido com outros autores, inclusive Félix Maranganha, que parece estar criando o caatingopunk, espécie de steampunk nordestino (falando de modo bem superficial), tenho me interessando mais por ele. Tanto que disto saiu o resultado: o primeiro conto caatingopunk que escrevi na vida. A escuna voadora traz a vida de uma família humilde da João Pessoa do século XIX que tem a chance de conseguir prestígio e dinheiro, graças à inventividade do  dono da casa. Entretanto, a mulher lhe apurrinha durante este processo, o que faz com sua criação, uma escuna voadora movida a vapor, tenha um gosto não mtão palatável. 
Dentro em breve mais notícias. 


02/07/2012

Sobre "A queda da primeira-dama"

Interessante como sempre me soa legal ter a vida a dois como ponto de partida para muitos dos meus contos. Esse não foge à regra, sendo também mais um da leva fantástica que vem por aí. A queda da primeira-dama traz um prefeito, homem velho, que está sendo investigado por corrupção. Ele teme à falência, a condenação em juízo. Não se sente mais à vontade da esposa muito mais nova que ele, quer que ela suma. A mulher, por incrível que pareça, não quer abandoná-lo, prefere virar pó junto ao seu amor. Enfim, mais um dos textos dos projetos vindouros terminado. Vamos em frente, atrás vem gente!.


26/06/2012

Livro II; Cap. VI: Haruma

Sim, a dama que viam pela janela da catedral era Haruma, a deusa do tempo. Olhava sempre em direção à porta central, não piscava sequer um olho; os cabelos esverdeados batiam ao pescoço, eram adornados por jóias do mais fino ouro. Os ornamentos estavam também nos punhos, tornozelos e no cinto, cingindo as vestes esbranquiçadas. Na mão direita, um báculo cravejado de pedras mágicas que cintilavam, sugerindo que ainda funcionasse mesmo diante da maldição da vila. Aquela moça detinha poderes inimagináveis com relação ao tempo. Pelo que os avetureiros sabiam, poderia ela ditar-lhe variáveis e probabilidades de suas atitudes, não lhe revelando um futuro concreto. Não se sabe se ela mesma não sabia do verdadeiro futuro ou se abstinha de previsões precisas para não interferir no curso natural das coisas; há quem diga que ela já contou a um sacedorte coisas que realmente aconteceram, mas outros duvidam, dizendo ter sido mera coincidência, uma vez que a sorte está lançada para todos. Enfim, Haruma era uma deusa e, como tal, é mistoriosa, enigmática e também contestada por uns enquanto amada pelos demais. Que aquela figura reservava ao aventureiros?

17/06/2012

Primeiros passos do rap nos anos 10



Pensava eu cá com  meus botões sobre a música desse início de década, especialmente a brasileira, e percebi a grande força que tem tido o rap e o hip-hop. Resolvi então traçar algumas linhas meramente impressionistas sobre essa proeminência. Vejamos.
Tudo bem, o rap já tinha bastante força e expressão há algum tempo atrás, mesmo antes do boom dos Racionais MCs, quando chegaram a vencer o prêmio mais importante do VMB da MTV com o clipe de "Diário de um detento". Entretanto, parecia ainda haver certa relutância de ouvintes mais tradicionais (para não dizer puritanos) ao gênero. Lembro-me de muitas vezes ouvir coisas do tipo "rap só tem letra, não é música" ou ainda "rap é coisa de maloqueiro, só fala sobre o negro e a violência da favela". Preconceitos destas falas à parte, observemos que os rappers da virada de milênio realmente não podiam ser vistos como excelentes cantores; alguns nem como cantores, fato que fazia com que a batida repetitiva característica se demonstrasse insuficiente para paladares ditos mais abertos. Por outro lado, o eixo temático erguido nas letras dos principais nomes do gênero abriu portas para uma relação mais ampla entre a arte e seus aspectos sociológicos. Percebamos que não raro rappers trabalham em parcerias com ONGs e fazem ações beneficentes ou de conscientizção das pessoas acerca dos problemas de nossa contemporaneidade, o que de certa forma engrandecia e legitimava seus artistas, convidando os ouvintes tanto a apreciar quanto a mobilizar-se em favor do discurso do rap. Música e atitude se casavam, mas ainda parecia que algo faltava, parecendo ter sido encontrado com Em busca da batida perfeita, de Marcelo D2, fato que comentarmos na parte 2 deste ensaio. Até lá.



15/06/2012

"Papo de sábado" começa amanhã!

Mais um espaço para debates e encontros literários foi criado na cidade. Trata-se do Papo de sábado. O evento ocorre uma vez por mês na livraria do Luiz, no centro da capital. Para o próximo dia 16, Roberto Menezes da Silva é o convidado. Em julho, será a vez de Janailson Macêdo Luiz.
Para não esquecer: sábado, dia 16 de junho, às 10h, livraria do Luiz, centro de João Pessoa. Todo mundo convidado!
 
Foto: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQABqDAncqUiy25Q9zfzX9ullw17P5VowP-AlW2D3cFDUFHWTY66ycwpjeGvcRwRz_QU_MQ5zqpx7QFVVHRq8KS2ZPqnfP3apMj7Qe2WMYG_A_-ONUWT_x3zbJzbp3aRea3xJBNDMK5l0/s1600/betomenezes_cartum.jpg

12/06/2012

Sobre Yoko

Saudações, pessoal! Estive ausente por uns tempos por causa das obrigações da vida real, mas vamos lá. Depois de pasar um tempo sem dedicação à ecrita literária, eis que um conto novo surge. O conto "Yoko" traz como eixo um dos grandes clichês temáticos do fantástico: a mulher-demônio. Diversas culturas possuem figuras que se relacionam a esse tema (o fato de sempre se relacionar a mulher ao diabo não vem ao caso agora); e para o meu texto me amparei a algumas falas sobre a kitsune, que segundo a mitologia japonesa, também podia metamorfosear-se numa humana para conquistar suas metas. No texto, trouxe a história de um rapaz que, durante seu intercâmbio profissional no Japão, acaba conhecendo aquela que serias o amor de sua vida. im, Yoko seria, se não fosse pelo comportamento estranho da moça. Enfim, breve tem mais notícias! 


31/05/2012

Desencapetando o riso (parte V)

Não gosto de comédia, pois é um gênero inferior, não requer técnica nem estudo


Sim já ouvi coisas como essas um sem número de vezes. Aristóteles proferiu que o trágico é belo, ou seja, que a beleza estética muito em a ver com a retratação de temas sérios, muitas vezes perpassando ao drama. Ok, o trágico é realmente belo, não há como não se emocionar lendo as mais clássicas tragédias gregas ou mesmo os dramas mais famosos do cinema. Não raro até simpatizamos mais com aqueles artistas que possuem/ possuíram vidas tão sofridas quanto às retratadas em suas obras. Entretanto, rir é algo inerente ao ser humano. Rimos desde antes de falar. Mesmo assim, somo sempre ensinados a guardar nosso riso no âmago mais profundo do nosso subconsciente. E dessas reservas acabamos dando origem a um legado que existe até nossos dias: o do "rir é feio". Dentre as principais justificativas dessa corrente, destacamos agora a que dá subtítulo a esse post. Há a ideia de que fazer rir não requer esforço, técnica, tratamento estético, estudo, etc.Vejamos alguns exemplos.


Charlie Chaplin foi um dos grandes, um ator, excepcional, um humanista e... um comediante de mão cheia! Acima um  trecho de O grande ditador, mostrando que mesmo a guerra pode ser motivo de riso e que o humor também requer grandes doses de talento e técnica. 


Já resenhada aqui, a Pola Oloixarac ganhou destaque pelo tom satírico de seu primeiro livro que satiriza na mesma proporção com que convida ao debate a sociedade argentina sobre a juventude perdida entre as brigas políticas, discussões acadêmicas extremas e a superexposição à informação proporcionada pela internet. É comum ver diálogos de algumas páginas (sim, páginas!) para expressar ideias mínimas, exemplificando o discurso hipster-pseudointelectual da juventude vigente. Vale a lida.


Por fim, ouçamos o koenjihyakkei, que também já passou neste humilde blog. A banda japonesa dá tons de punk rock da forma mais lúdica possível ao seu som, que é extremamente trabalhado, basta que reparemos na qualidade técnica empregada pelos músicos - fato que já é uma das características do Zeuhl. Enfim, aquele que ouvir terá a impressão de que os músicos estão realmente brincando com suas músicas; o resultado é uma viagem frenética, uma bagunça muito bem feita e divertida, especialmente em seus minutos finais. 
Mais exemplo? Que tal se você, querido leitor, puxar algum para o debate? A seção de comentários está a sua espera!


Confira também as partes I, IIIII e IV.


23/05/2012

Futuro do passado


Há quem diga que modernizar o passado é uma revolução musical. Tal afirmativa parece contraditória, mas se vocês, meus amigos, pararem um pouquinho para observar (ou para ouvir, já que estamos falando hoje de música), perceberão que fazemos isso o tempo inteiro. O artista é refém do qaue já passou e dialoga intertextualmente (e muitas vezes inconscientemente) com toda a produção estética que lhe precedera. Parece bobagem discutirmos algo tão óbvio, mas vira e mexe aparece  alguém que acredita que o futuro é autônomo e que ainda há algo que não tenha sido criado. Sendo assim, discutamos, a partir dessa postagem introdutória, a importância da originalidade. Para tanto, puxei como primeiro exemplo uma banda que é tida por muito como original: os Smashing Pumpkins. É realmente surpreendente que os álbuns da banda não se pareçam entre si, o que em muitos momentos fez com que a crítica especializada a acusasse de "atirar para todos os lados". Por outro lado, discos como adore já mostram uma beleza incrível, partindo
 da união entre futuro e passado, ou seja, de instrumentos de tecnologia de ponta, geralmente de timbres eletrônicos e pasasgens acústicas. Evidentemente você também perceberá essa premissa em vários artistas, Wilco, Radiohead, etc. Essas bandas estão sempre nas citações de quem fala sobre o futuro, sobre as novas tendências, pois fazem algo que ninguém costuma fazer. De fato, essa vertente futuro-retrô é bem mais consistente do que a onda de bandas que teve destaque nos anos 00, que se resumiram a pastiches dos Stones/ The Who/ Led Zeppelin nos estados unidos e do post-punk dos 80 na Inglaterra. Entretanto, isso faz dela uma obra que se possa dizer original? Eis a questão, vejamos o futuro casando-se com o passado através da arte e discutamos.


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