"Ascensão e queda": romance de estreia!

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Para aqueles que querem conferir o que tenho escrito, dêem uma olhada aqui!

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O híbrido e a arte

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13/03/2017

Entrevistando Camillo José



Cá estou eu para a entrevista da semana com o escritor pernambucano Camillo José. Sem mais delongas, vamos ao papo que rolou pelo chat do facebook na noite de 12/03. Enjoy!



Wander Shirukaya - Vamos fazer uma breve apresentação de você aos leitores do blog. Quem é Camillo José?

Camillo José - Olá! Certo, então: Camillo José é, putz, calma [risos]. Bom, Camillo José é um dos organizadores do selo editorial La Bodeguita, autor de alguns livros de poemas, sendo os mais recentes Apneia-resort, Xinforimpola, [about: blank] e Os próximos 30min não tem propaganda graças ao seguinte patrocinador (todos pela Bodeguita) e o mais antigo Chave de espadas, publicado pela Editora Patuá em 2013; mas pra mim mesmo Camillo José é uma pessoa aleatória que passa a maior parte do tempo jogando arcade e ouvindo math rock [risos].



Wander - Math rock? Massa! Tô ouvindo aqui Crystal Fairy, projeto novo do Omar Rodriguez-López. É bonzinho, mas ainda sou viúva do Mars Volta [risos]. Pelo que conheço de você, a música é muito presente na tua literatura, não? Isso sem falar na estética vaporwave, que vai mais além [da música]. 

Camillo - [risos] Pior que eu também, fiquei animado com a volta do At the drive-in e gosto pra caralho da carreira solo do Omar, mas com o Mars Volta rola um apego mais íntimo.



Wander - Pois é. Como música e a cultura vaporwave se relacionam com sua literatura?

Camillo -  Diria que [a música] é mais presente que a própria literatura, no sentido de que minhas referências quase sempre vêm da música, seja no uso de epígrafes, nas referências dentro dos textos ou no fato de quase não conseguir escrever em silêncio. Inclusive há um poema no meu próximo livro que faz referência a uma música do Mars Volta (Inertiatic esp), numa divisão da obra que coincidentemente se chama The haunted jukebox [risos]. Gosto de pensar o arranjamento dos poemas no livro como uma espécie de mixtape, sabe? Às vezes até chego a criar playlists no youtube pra anexar aos livros. A estética vaporwave, como tu disse, aparece também em relação à música, mais ainda mais nas questões de apropriação e ressignificação, embora eu escute bastante playlists do gênero durante a produção dos livros.



Wander - Que massa, meu livro novo terá influência de Mars Volta também. Mas a entrevista não é sobre mim, melhor retomar [risos].

Camillo – [risos] Eu vi num trecho do teu [livro] que tu cita Alcest, é uma banda que gosto muito também, me fez abrir um sorrisão quando li.


Wander - Quais as suas bandas preferidas, maiores influências, etc.?

Camillo - Pelo lado mais pessoal, minha maior influência é sem dúvida o John Frusciante, tanto pelos sons atmosféricos que ele consegue alcançar com a carreira solo quanto pela época que esteve com os Chili Peppers – o que às vezes é um pouco complicado, porque meu estilo de tocar guitarra acaba soando muito semelhante ao dele. Mas sobre a relação música e literatura, minhas principais influências são artistas que, apesar de não estarem diretamente ligados ao vaporwave, fazem uso constante de referenciações e ressignificações em suas composições, desde os insights nas letras dos Alt-j até os samples inusitados do Kanye West. Mas é algo que vai variando, como disse, ultimamente tenho ouvido muito math rock e isso tem me influenciado de uma forma diferente e sou muito inquieto, daí vivo procurando banda nova pra ouvir e sempre me perco no meio de tanta coisa boa. No vaporwave minhas maiores referências são a Vektroid (responsável pelo Macintosh Plus, creio que o projeto mais popular do gênero) e o Trevor Something; a Vektroid por ser basicamente uma espécie de porta de entrada pra quase todo mundo que vem a se interessar por essa estética, o Trevor Something pela questão do anonimato: o cara já tá nessa coisa toda há anos e até hoje ninguém sabe quem ele é, gosto dessa coisa toda, desse desapego que os artistas vaporwave geralmente têm diante do fator popularidade, é algo que tento levar pras minhas experiências com música e literatura.



Wander – E na literatura? Algum poeta ou ficcionista que lhe tenha virado a cabeça?



Camillo - Com a literatura o meu primeiro grande plot twist foi com Roberto Piva, porque eu sempre fui uma pessoa muito imagética, mas jamais havia tido contato com uma literatura que explorasse a imagem da forma como ele faz, foi um baque imediato e irreversível, não dava pra ler Piva e continuar escrevendo da mesma forma, me deixou completamente desgraçado da cabeça. Depois de um ou dois anos totalmente imerso na escrita do Piva, eu conheci o Delmo Montenegro e aí o desgraçamento ficou completo [risos], porque a poesia de Delmo consegue trazer uma imagética tão carregada quanto a do Piva, com o adicional das referências undergrounds audiovisuais que eu já flertava, mas com um receio bobo de estar "avacalhando" demais; daí quando eu li Delmo e vi ele fazendo tudo aquilo bateu uma sensação reconfortante de pertencimento e eu finalmente pude tocar o foda-se e escrever da forma que achava melhor [risos] daí isso tudo coincidiu com as imersões iniciais no vaporwave e foi o nariz que faltava no Frankenstein.



Wander - Ganhaste o Prêmio PE. Qual foi a sensação? Já tem sentido algum efeito dele?

Camillo - Então, foi algo bem inusitado, e a ficha só tá caindo agora, porque o lançamento do livro já é mês que vem [risos]. O livro que inscrevi no prêmio era a coisa mais experimental que eu havia feito até ali e minha preocupação maior sinceramente nem era o prêmio em si, mas ter uma chance de publicá-lo, porque tinha quase certeza de que, se não fosse com o prêmio, seria muito raro uma outra editora topar lançar algo tão estranho como A dakimakura flutuante e não dava pra publicar com a Bodeguita porque por enquanto editamos apenas livros de curta extensão, daí era meio que um tudo ou nada, então minha maior sensação foi de alívio por não ter que me frustrar tentando convencer outras editoras a publicá-lo [risos]. Sobre os efeitos, ocorre um delay comigo que desde 2013 quando alguém vem falar do meu primeiro livro eu fico totalmente sem reação, aquele clichê de ver um filho andando e não conseguir acreditar que aquele filho é teu. Quando perguntam sobre o Dakimakura eu tento falar mais sobre o livro em si do que sobre o fato de ter ganhado o prêmio, embora tenha consciência de toda a carga dessas circunstâncias.


Wander - Pernambuco é apontado como o estado com o maior número de cartoneras do país e possui uma quantidade expressiva de produção independente, inclusive você é também editor. Como esse contexto tem contribuído para a sua carreira e de outros autores da região?

Camillo - creio que essa coisa da busca por independência editorial é um movimento que reflete não só a escassez e falta de acessibilidade das editoras "oficiais" ativas por aqui, mas também - e talvez principalmente - o ritmo como tudo vem acontecendo dentro desses grupos, o que pode resultar em colheitas frutíferas, mas também causar certos alagamentos com a mesma proporção. Digo, mais da metade da literatura que tenho lido nos últimos anos vem de produções à margem do mercado editorial, produções consistentes e à frente do "centro" em muitos quesitos. Entretanto, não dá pra negar que grande parte das problemáticas que permeiam as questões de "massividade" acabam intensificados pela lógica do "faça você mesmo" - no sentido de que às vezes a distorção da coisa toda resulta num bocado de autores recheados de convicções, alheios a críticas e munidos de um ideal egoísta de independência, o que também explica haver mais autores que leitores: o cara escreve uns poemas, publica um zine/livro por conta própria, vai pra sarau, se auto-promove; mas não faz a mínima ideia do que tá sendo produzido ao redor - ou pior, só lê/compra outras publicações se houver uma mão dupla invisível guiando toda a diplomacia dessas situações. Daí às vezes essa coisa de usar a independência como argumento pra validar qualquer coisa que se escreve acaba sendo um tiro pela culatra, mas não dá pra negar que há uma galera muito foda emergindo disso tudo.


Wander - Para terminar, deixe uma mensagem aos leitores do blog e obrigado pela entrevista. Gostei muito do papo!

Camillo - Eu agradeço pelo convite, foi uma conversa muito agradável e espero que eventualmente possa se estender para fora da internet. Minha mensagem é: bebam bastante água e acreditem no coração das cartas, o resto é literatura.

Foto: Jan Ribeiro.


 
 

20/04/2015

Deus é um standard de Jazz?

Lerdo como uma tartaruga, cá estou comentando os assuntos que você já deve ter cansado de ouvir falar. Eis que nos últimos dias, Ed Motta deu um piti em seu facebook reclamando da presença de brasileiros em seus shows no exterior. Como sempre, aqueles que adoram atirar a primeira pedra (e as seguintes) malharam o pau e o execraram, mesmo quando, tendo visto o imbróglio causado, o artista resolveu pedir desculpas. Não adiantou muita coisa, já que as Sheherazades da vida sempre pregaram que, já que falhou, que arque com as consequências. Não me admiraria se hackeassem Ed e jogassem na rede possíveis nudes seus. 
O quê? Defendendo um cara que não valoriza o Brasil? Não, não é bem assim. Há muita coisa que pode ser debatida a partir do fato ocorrido. 

Sim, Ed Motta errou feio, errou rude, mas não exatamente em tudo. Sua conclusão é errônea, assim como o modo com que se expressara. Entretanto, é fato que muitas vezes o público, digamos assim, extrapola. Algumas pessoas passam da conta na bebida, outros, por sua vez, não são profundos conhecedores da obra do artista que vêem; tal como chamamos hoje em dia, esses são os posers. Alguns espectadores são comumente invasivos, invadem palcos, camarotes, mesmo quando o artista, depois de uma apresentação exaustiva, só precise de uns cinco minutos de descanso. Não raro, aparecem na mídias matérias sobre complicações entre artistas e seus fãs, ou mesmo questionamento de quão fãs estes fãs são.
O problema, como disse, é a conclusão feita pelo cantor. Ao pedir que brasileiros não mais o acompanhem, digamos assim, ele cria uma espécie de redoma, uma sacralização de sua música - algo que, ao meu ver, é bastante nocivo. Tal comportamento é bastante comum na literatura; muitos artistas partilham da opinião de que a literatura e arte são sagrados, afastando os "pobres mortais". O mais engraçado é que, vez ou outra, os mesmos artistas reclamam de não serem compreendidos pelo público em geral. O importante a perceber aqui é isto: os artistas que acreditam na sacralização da arte tendem a impedir a aproximação do público. Por outro lado, percebendo a falta de boa vontade do artista, o público se afasta e, oportunamente, produz sua própria expressão artística no intento de se satisfazer. Ou seja, Ed Motta, embora certo em se chatear com a conduta de alguns espectadores, erra feio em se sacralizar. Ora, não dizem que Deus é brasileiro? Então por que Deus só ouve standards de jazz? Por que não um pancadão do MC Pikachu? Ou será que, de fato, Deus não está nem aí para o Brasil?
Continuando com a hipótese de um Deus brasileiro, acredito que, em toda sua sapiência, Deus deva tratar a "brasilidade" com a complexidade que lhe é merecida, ou seja, sabendo da pluralidade de um povo que vive em um país tão extenso e singular. O brasileiro do José de Alencar não exclui o de Cláudio Assis, que não exclui o de Villa Lobos, nem o de Mano Brown, Vanessa da Mata, Ana Paula Valadão e, claro, também não exclui o de Ed Motta. Ao ter um comportamento excludente com relação aos diversos tipos de público, acabamos por tirar dele a oportunidade de se abrir a novas experiências artísticas e intelectuais, o que é de fato muito salutar tanto para a arte quanto para o público. A troca de experiências acontece o tempo todo, basta observarmos o quanto mais artistas tendem a se "misturar" uns com os outros. Tom Zé, só para ficar em um exemplo, já colaborou com Mallu Magalhães, Emicida e tantos outros, sem uma necessidade de manter uma hierarquia e sacralização do que faz. Talvez Ed Motta teria sido mais feliz em sua conclusão se tivesse agido com o bom humor visto em seu show recente, tirando-lhe as neuras da cabeça e tornando sua apresentação mais aprazível a gregos e troianos.

Por outro lado, nós deveríamos prestar atenção a uma coisa em especial: o fato de um artista ter posições contrárias as nossas não deveria ser motivo para falar mal de sua obra. Ed Motta é um cantor muito bom, um compositor de extrema qualidade. Dizer que, por causa de suas afirmações, ele é apenas um gordinho chato que tem inveja do tio ou coisa assim me faz lembrar daquele boy que foi xingar muito no twitter porque o Restart, segundo ele, não prestava mais por causa de um problema na entrada do show da banda. Ou seja, é necessário saber dissociar o artista de sua obra. O artista é humano, falho, faz merda como qualquer um de nós. Sua obra, por outro lado, possui características distintas, que representam um recorte da realidade. Ao rechaçar a obra de um artista por causa de coisas que tal artista disse ou fez, lembre-se de que Lewis Carrol tem sua obra (Alice no País das Maravilhas) adorada até nossos dias, mesmo tendo sido pedófilo.  

Sendo assim, vejamos que a arte não é algo sagrado. O artista, muito menos. É importante deixar de ser passional às vezes e manter um pouco de paralelismo e coerência na hora de fazermos nossas avaliações, ainda mais em tempos de ânimos exaltados que temos vivido. Deus está para todos (considerando que exista) e, definitivamente, está mais para samba do crioulo doido do que para standard de jazz. 

Amém. ☺

Deixo vocês com um pouco da obra do grande Ed Motta, sensível e intimista, em seu Chapter 9. 


10/02/2015

Glorificando o híbrido - Parte IV (final)

Atenção! Atenção! A discussão a seguir possui altos níveis de spoiler! Se você ainda não viu/ leu as obras aqui discutidas, cuidado. 


Chegando ao fim de nossa série, depois passarmos pelo cinema (Matrix) e anime (Kill la kill), é chegada a hora de ver um bom exemplo do híbrido na literatura. Para tanto, vamos ver o que acontece em Rei Rato, do mestre da weird fiction China Miéville (foto da direita). 
Numa Londres cerda de criaturas abomináveis que se esgueiram quase invisíveis pelos becos e esgotos, uma dessas criaturas governas todos os imundos ratos da cidade. O conflito começa quando um ser misterioso resolve destruir o Rei Rato: o flautista de Hamelin. Ele tem o poder de, através de sua música, controlar toda a população e fazê-la atender suas ordens. Para cada tipo de criatura, o flautista deveria tocar uma música diferente.
Vendo que não seria páreo para o flautista, Rei Rato decide ir atrás de seu "herdeiro", Saul Gramond. Saul é o híbrido, filho de uma aventura de seu pai com uma humana, que agora terá de despertar seu lado sombrio. Assim, vamos acompanhando toda a adaptação de Saul ao mundo sombrio dos esgotos, tudo acompanhado da batida veloz do jungle e do drum'n'bass. Durante esse aprendizado, o flautista também começa a caçá-lo para que toda a raça dos ratos seja destruída. 

Confronto final

No duelo final entre o flautista e Saul, vemos o quão poderoso é o antagonista, quando, com a música de seu instrumento, faz com que todos os humanos e ratos estejam sob seu domínio, entretanto, Saul consegue escapar do então iminente massacre dentro de uma casa de show, pois ele não é rato, nem humano. Sua hibridez faz com que o flautista não consiga dominá-lo e, assim, saia derrotado. Complementando o encerramento, vemos a clara mensagem política de celebração da miscigenação e da organização de uma sociedade que não se submeta aos caprichos de seus líderes. É possível ver o futuro como um ambiente de preservação da identidade e, concomitantemente, da promoção da diversidade. 

Concluindo

O que podemos ver a partir das três obras aqui apresentadas é que nas últimas décadas, a produção artística a nosso redor parece também ter se preocupado em promover a diversidade étnica e cultural. Escrever é sempre um ato também político e, como tal, serve de material para reflexão sobre nossos rumos em tempos de crises econômicas e políticas separatistas e/ ou persecutórias. Vale a pena ver o que cada um dos híbridos tem a dizer, perceber até onde somos como eles e ver o que podemos aprender com eles. Fica o convite. 

Perdeu as outras partes? Veja aqui as partes I , parte II e parte III da discussão!
 

26/01/2015

Lançamento de "Ascensão e queda" dia 27/01/15 em Recife!

Alô, alô, amigos de Recife e região! Nesta terça-feira, 27/01/15, estarei em Recife, no Museu do estado de Pernambuco, às 19h, para o o lançamento do meu primeiro romance, Ascensão e queda, vencedor do II Prêmio PE de Literatura, em 2014. Na ocasião também serão lançadas as obras dos demais vencedores, Rômulo César Melo, Tadeu Sarmento e Hélder Herik. 

A quem puder: apareça. será uma boa oportunidade de conhecer o que andam produzindo essas novas caras de nossa literatura. 
Desde já agradeço.





Ascensão e queda (romance), Wander Shirukaya


O grande vencedor de 2014 é um romance que apresenta estrutura narrativa polifônica, com diversos narradores/personagens e uma temática não muito comum na ficção pernambucana, ao explorar um enredo memorialístico em torno das agruras e angústias existenciais de uma banda de rock diante do suicídio de seu líder e vocalista. Shirukaya demonstra grande domínio do universo da música e explora a linguagem própria desse grupo em uma narrativa ágil e permeada de referências à cultura pop.



Serviço:

Lançamento dos livros vencedores do II Prêmio Pernambuco de Literatura
Dia: 27 de janeiro
Horário: A partir das 19h
Local: Museu do Estado de Pernambuco
Aberto ao Público

Para mais info, clique aqui.


Ascensão e queda (romance), Wander Shirukaya
O grande vencedor de 2014 é um romance que apresenta estrutura narrativa polifônica, com diversos narradores/personagens e uma temática não muito comum na ficção pernambucana, ao explorar um enredo memorialístico em torno das agruras e angústias existenciais de uma banda de rock diante do suicídio de seu líder e vocalista. Shirukaya demonstra grande domínio do universo da música e explora a linguagem própria desse grupo em uma narrativa ágil e permeada de referências à cultura pop.
- See more at: http://www.cultura.pe.gov.br/canal/literatura/livros-vencedores-do-ii-premio-pernambuco-de-literatura-serao-lancados-na-terca-feira-27/#sthash.S28WmgDM.dpuf
Ascensão e queda (romance), Wander Shirukaya
O grande vencedor de 2014 é um romance que apresenta estrutura narrativa polifônica, com diversos narradores/personagens e uma temática não muito comum na ficção pernambucana, ao explorar um enredo memorialístico em torno das agruras e angústias existenciais de uma banda de rock diante do suicídio de seu líder e vocalista. Shirukaya demonstra grande domínio do universo da música e explora a linguagem própria desse grupo em uma narrativa ágil e permeada de referências à cultura pop.
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Ascensão e queda (romance), Wander Shirukaya
O grande vencedor de 2014 é um romance que apresenta estrutura narrativa polifônica, com diversos narradores/personagens e uma temática não muito comum na ficção pernambucana, ao explorar um enredo memorialístico em torno das agruras e angústias existenciais de uma banda de rock diante do suicídio de seu líder e vocalista. Shirukaya demonstra grande domínio do universo da música e explora a linguagem própria desse grupo em uma narrativa ágil e permeada de referências à cultura pop.
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14/06/2013

Silêncio Interrompido em Itambé dia 15/06!


Amanhã em Itambé teremos mais um evento com a mão do movimento Silêncio Interrompido (PE).  O evento contará com lançamentos de livros, bate-papos e o final terá, como sempre, o sarau. Estarei por lá. A quem estiver de bobeira e quiser ver o que a literatura da Mata Norte pernambucana anda produzindo, dê um pulinho lá. Confira a programação.

SILÊNCIO INTERROMPIDO - INTEGRAÇÃO CULTURAL

PROGRAMAÇÃO

TARDE:

(13H – 17H) EXPOSIÇÃO DE ARTES VISUAIS
- Fotografias de Marcos Guedes
- Acervo Memória nas Ondas das Mídias Livres
- Emanuel Guedes com releitura de obra de artes.

(Local: Biblioteca Municipal de Itambé)

(13H – 14H) MOSTRA DE AUDIOVISUAL
- Paulo Leminski - Ervilha da Fantasia (29 min)
- Manoel de Barros - Caramujo-Flor (21min).

(14:30h – 15:30 h) TEXTOS POÉTICOS:
- ESTÉTICA DO LAHARSISMO com Luis Serguilha : Poeta, Crítico e Ensaísta. (Portugal)

(16h – 17h) Lançamento dos Livros & Roda Literária:

Autores conversão com o público sobre as experiências de publicação independente na região da zona da mata norte.

- “Goiana Revisitada – MSI” com Ademauro Coutinho, David Borges, Geisiara Lima, Philippe Wollney, Wander Shirukaya e Wendell Nascimento .

- “Clube do Conto da Paraíba” com Wander Shirukaya

- “Poemas de um eu cretino” com Philippe Wollney

(Local: Biblioteca Municipal de Itambé)

NOITE:

(19:00H) RECITAL COM OS POETAS:

• André de Pina (Carpina)
• Cris Souza (Carpina)
• Bringa Poeta (Tracunhaém)
• Enoo Miranda (Nazaré da Mata)
• Andersom Coelho (Nazaré da Mata)
• Álvaro Goés (Timbaúba)
• Geisiara Lima (Itambé)
• Adelson (Itambé)
• Maria José Galdino (Itambé)
• Emanuel Jorge (Itambé)
• José Alberto (Itambé)
• Jaíres (Itambé)
• Wander Shirukaia (Itambé)
• Ademauro Coutinho (Goiana)
• David Borges (Goiana)
• Edson Henrique (Goiana)
• Wendell Nascimento (Goiana)
• Philippe Wollney (Goiana)

(Local: Biblioteca Municipal de Itambé)

(21h – 21:40h) Apresentação do Rapaziada Voz Ativa [R.V.A]
(Local: Biblioteca Municipal de Itambé)

SERVIÇO:

Quando:
15 de Junho [próximo sábado] a partir das 13h.

Onde:
Biblioteca Municipal Monteiro Lobato, Praça Profº Maria José de Sá de Andrade, Centro, Itambé. [Referência: Praça da Bibliotaca].

Quanto:
Entrada Franca.

Apoio:
Porta Aberta
Iapôi Cineclube
Ponto de Cultura Alafiá

Realização:
Silêncio Interrompido
Prefeitura Municipal de Itambé


04/06/2013

Pé (e arte) no chão (parte II)

A arte, o bem e o mal

Seguindo com a nossa discussão, voltamos a falar sobre o maniqueismo/ binarismo que tanta polêmica cria quando observamos a recepção de uma obra. Tomamos como ponto de partida, para quem não leu, a celeuma envolvendo o fato de Valesca Popozuda ter virado tema de dissertação de mestrado. Como propusemos, toda a discussão em torno de assuntos como este vêm da nossa incapacidade de organizar nosso pensamento de forma que não seja maniqueista. Sendo assim, acaba se tornando natural que "sacralizemos" tanto a arte como a cultura em si, posto que a ideia de algo "sagrado" nos traz conotação positiva e contributiva para nosso engrandecimento como seres humanos. E é exatamente aí que mora o problema.
Há milhares de anos possuimos dentro de nós tal tendência. Platão buscava o Belo (não aquele cantor horroroso), o elemento que fosse perfeito, único, e muito dessa visão platônica influencia até hoje nossa concepção de arte. Trocando em miúdos, arte tem a ver com perfeição, algo tão bem feito que só pode ter tido uma mãozinha divina durante sua concepção. O resultado disso tudo é que tendemos a considerar como arte tudo aquilo que, de algum modo, nos vincula a um engrandecimento espiritual, independente da religião cultuada, como se arte fosse uma espécie de stairway to heaven, um caminho para atingirmos Deus, o Nirvana, etc. 
Pois bem, esta tendência não parece de toda má, há milhares de exemplos que fazem questão de ressaltar essa relação entre arte e algo divino. Repare as contruções dos templos católicos ao longo da história, os arquitetura gótica; tambérm vale lembrar que, em muitas culturas, os registros literários tidos como "primeiros" ou "mais importantes", eram compostos por pessoas ligadas ao clero, como  os sermões comuns do Puritanismo norte-americano ou os de Padre Antônio Vieira aqui no Brasil. Arte e religião andam de mãos dadas, graças a influência expressiva da segunda em nossas vidas, o que acaba causando certa confusão e nos impulsionando a ver toda expressão artística da mesma forma. O que não atender a esta nossa concepção de arte, não será obviamente arte. Simples assim. E então, o que fica além desta visão unilateral apresentada? Como ficaria a obra de Soasig Chamaillard (foto)? É o que veremos no próximo capítulo de nosso bate-papo. Até lá!


Confira também a parte I aqui.


01/05/2013

Pé (e arte) no chão (parte I)



Saudações a todos os leitores, o Blog do Shirukaya está de volta à ativa! O tempo ficou curto e acabou por criar um limbo de alguns meses, mas finalmente eis aqui mais diversão e debate. Volto percebendo boas oportunidades para discutirmos e refletirmos sobre literatura e artes em geral. Um dos assuntos interessantes para debate é o que originou essa nova série de posts. Pé (e arte) no chão pretende refletir sobre todos os elementos de composição de nosso gosto, ao menos, no que tange à arte. Sem mais delongas, vamos nessa!

Tem se destacado na mídia a notícia de que uma das maiores musas do funk carioca, Valesca Popozuda (foto), virara objeto de estudo por parte de uma mestranda  da UFF. A polêmica começou a partir das manifestações de outras pessoas nas redes sociais e de formadores de opinião. Uma manifestação que ficou bastante popular foi a da âncora do Jornal do SBT, Rachel Sheherazade. Vale a pena ver o vídeo para enriquecermos o debate. 

De um lado, a ala conservadora da sociedade aplaudia de pé tal posicionamento, afina, para eles, é de uma pouca vergonha inefável que coisa tão abominável, como Valesca Popozuda,  possa ter o status de corpus de um trabalho científico - fato que só serve para provar o quanto o PT emburrece nosso alunado. Em contrapartida, a outra ala rechaçou com todas as suas forças o comentário da jornalista, posto que, segundo eles, gosto não se discute e é por nos metermos nas predileções alheias que o mundo está assim, todos impedidos de ir e vir e ameaçados por aqueles ditos defensores da moral e dos bons costumes. Percebamos que, a maior parte do tempo, as opiniões de ambos os grupos são bastante extremistas, muitas vezes com propósito mais partidário do que qualquer outra coisa que os possa engrandecer. Podemos pegar tal conflito como ponto de partida, já afirmando: apesar dos avanços que temos, independente de nossas preferências políticas, morais, religiosas, etc, ainda sofremos por não conseguirmos nos desvencilhar de uma organização binária do nosso pensamento, ou seja, ainda pensamos, em pleno terceiro milênio, que "quem não está comigo está contra mim". Esse é um dos males que ainda não conseguimos destruir e, por isso, ainda temos manifestações de preconceito que poderiam ser erradicadas. 
Ora, se nosso problema é exatamente esse binarismo, como proponho, bastaria então resumir esta série de posts ao "gosto não se discute"? Não. Qualquer reducionismo pode ser válido apenas como referência rápida, mas na prática torna raso e reificado qualquer tipo de pensamento, induzindo mais uma vez ao binarismo. Posto que gosto não se discute, há outras coisas que podem nortear nossas reflexões, sem que haja repulsa de sua parte, meu leitor. É o que veremos em nossos próximos capítulos. Por hora, quem quiser deixar algum comentário, sinta-se à vontade. Vejam os vídeos e vamos que vamos!


continua...

01/11/2012

Música pra escrever (parte IV - final)

Eis então a última parte da série falando sobre bons álbuns que costumo ouvir durante o processo de escrita:

Um dos álbuns duplos mais importantes da história da música, Mellon Collie and the infinite sadness (1995) é obra-prima dos Smashing Pumpkins. Acrise no mercado fonográfico já começava a dar as caras, mas nem por isso a banda se intimidou, trazendo dois discos que primam pela beleza e ousadia. ouça no talo "Fuck you (an ode to no one)", "Thru the eyes of the ruby "e os hinos "Bullet with butterfly wings" e "Tonight tonight".

Um pouquinho depois, o Radiohead também resolvera chutar o pau da barraca e compor um álbum complexo, delicado e que soa como boas vindas à tecnocracia. Ok computer (1997) dita tendências dentro da música até nossos dias e, sem dúvida alguma, é um disco primoroso. ouça os clássicos "Paranoid android", "No surprises" e "Karama police". Boa viagem.


Para encerrar, trago um grande disco de heavy metal que acredito que nãoi deva faltar à discoteca de ninguém. And justice for all (1988) é até hoje um álbum venerado pelos fãs do Metallica, tanto que alguns desses dizem que este fora seu último álbum, que depois dele a banda se rendeu ao mainstream, etc, etc. mimimis à parte, bata com tudo sua cabeça ao som de "Blackened", "Dyers eve" e do hino headbanger "one". \m/




Bom, é isso aí, poderia ficar aqui citando milhares de bons discos, mas o tempo urge e temos que seguir em frente. Espero que tenham apreciado a seleção. 

Confira a parte I, parte II e parte III.

23/10/2012

Música pra escrever (parte III)

Na última postagem priorizei algumas predileções mais obscuras, pouco conhecidas. Hoje vamos na direção oposta pegando coisas mais atreladas ao cenário pop mundial.

A conhecidíssima banda brasiliense deixou inúmeros hits de sua carreira. Poderia citar aqui várias das canções que encabeçam As quatro estações, seus álbum mais famoso, mas prefiro a beleza de "A montanha mágica" ou "Metal contra as nuvens", que podem ser encontradas em V (1991); Só de comentar deu vontade de ouvir.







Moby apareceu de vez para o mundo com Play (1999), trazendo um som bem diferente de seus primeiros discos. Ficou reconhecido pela mescla de blues e música eletrônica, que rendeu grandes clássicos como "Why does my heart feels so bad" (de clipe belo e triste) e a porrada "Bodyrock". Aperte o play e seja feliz. 






O britpop, por si só, já poderia muito bem encabeçar uma lista à parte aqui, visto a quantidade de artistas que admiro que são enquadrados neste grupo. Mas, para citar apenas um, fiquei com o disco delicado e emocionante This is my truth tell me yours (1998), dos Manic Street Preachers. Destaques para "You stole the sun of my heart", "Tsunami" e a belíssima "If you tolerate this, your children will be next". Confira o clipe dela também assim que puder pelo youtube. É isso aí.


continua...

confira também a parte I e a parte II.

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