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24/04/2017

Do que eu falo quando falo em fantástico - PT1




A literatura fantástica está comigo há muito tempo. Tornei-me, inclusive, pesquisador desse tipo de história e, como consequência, o fantástico vira e mexe aparece em minha prosa. Entretanto, costumo perceber que muitas pessoas ainda se perdem frente ao fantástico, talvez pela diversidade de manifestações apresentadas nas artes ou mesmo pela diversidade de percepções dos mais variados artistas frente ao tema. Com base nisso, uma vez pensando em lançar uma coletânea de contos do tipo, resolvi devanear um pouco sobre o que entendo sobre isso, tanto para meu próprio estudo como para a reflexão do leitor que também seja entusiasta do assunto.

São vários os autores que estudaram o fantástico. Dentre eles, costumo priorizar dois por causa de suas linhas de pensamento distintas. Tzvetan Todorov, talvez o teórico mais conhecido sobre o assunto, acreditava que o fantástico fosse um gênero em que os personagens se deparam com algo que desafia as leis do real, projetam seu desconforto (muitas vezes associado a medo) aos leitores e a narrativa termina sem que se possa adotar uma explicação para o fenômeno. Por outro lado, Irene Bessière parte da mesma ideia de inexplicabilidade frente a um evento que rompe as normas da realidade, porém o tratando mais como um recurso narrativo como outro qualquer e não necessariamente um gênero. Outros estudiosos têm se debruçado sobre o assunto, mas é fato que eles sempre se amparam a ambas as perspectivas apresentadas. Sendo assim, recomendo uma lida nos dois citados para quem desejar mais se aprofundar sobre o tema.
Algumas pessoas não têm interesse tão forte a ponto de estudar teoria, o que requer muito conhecimento prévio e dedicação. Talvez essas pessoas se deliciem com leituras um pouco menos densas, como o depoimento de autores sobre sua visão sobre o fantástico. Apesar de definições bastante imprecisas, podem servir de ponto de partida mais prazeroso. Vale uma lida o artigo curtinho de Julio Cortázar, “Do sentimento do fantástico”, em seu famoso Valise de cronópio. Metafórico como sempre, o autor comenta o fantástico a partir da história de um cachorrinho que olha fixamente algo numa parede. Algo que nós não sabemos o que é. Gosto da metáfora por apresentar bem  a base da narrativa fantástica: falar sobre o que não sabemos o que é. Assim, temos uma narrativa que se ampara em dilemas, paradoxos e mistérios. Mas espere um momento, pensará o leitor, se a base do fantástico é não compreender o que acontece, o grande dilema da literatura brasileira (se Bentinho é ou não corno)  poderia ser tratado como um evento fantástico? Na verdade não, pois ainda precisamos de um elemento que surja na narrativa que seja capaz de desafiar a realidade, ou como costuma dizer David Roas, que seja capaz de desafiar a nossa noção de realidade, já que em tempos de pós-modernidade se torna impossível concebê-la como uma só.  Agora o que parecia difícil se torna ainda mais, já que o leitor deve concluir que se o fantástico se move através da nossa percepção do real, talvez o que seja fantástico para mim não o seja para quem vive em outra região ou outra época. Falando num português mais prolixo, o fantástico depende de nossa percepção do real tanto de forma sincrônica quanto diacrônica. Vejamos um exemplo: no século XIX, era possível encontrar artigos científicos relatando a combustão espontânea, ou seja, casos em que pessoas beberam todas e acabaram por isso pegando fogo sozinhas. Com os avanços nas pesquisas, hoje sabemos que isso tudo não aconteceu e muitos casos que pipocam por aí são facilmente desmascarados. Ou seja, hoje tal evento seria um acontecimento fantástico para nós, mas não desafiaria a realidade de séculos atrás.  O leitor então pode concluir que o fantástico é um gênero/recurso interdependente não só de sua estrutura, mas também da nossa relação com ele e o contexto em que ele se encontra - tal como ocorre com o erotismo, acredito eu.
Tendo introduzido estas primeiras noções sobre o tema, continuo o que tiro da minha visão sobre esses tão variados estudos e narrativas.
Até lá.


PS: Sim, o título deste artigo é inspirado em Haruki Murakami. 
PS2: Referências serão colocadas no final da série de postagens. 

31/07/2015

A importância das epígrafes



O processo de produção de um texto em prosa requer atenção a diversos recursos que utilizamos para a construção de uma obra perfeita - ao menos aos nossos olhos. Dentre esses recursos disponíveis em nossa paleta de cores literárias, lá estão as epígrafes. Esses texto pretende divagar um pouco sobre a função delas na narrativa.
Seria possível ao escritor conceber a epígrafe como uma espécie de termo acessório, visto que ela não chega a ser algo de presença obrigatória (realmente, em arte é muito difícil acreditar que algo tenha a obrigação de estar presente). Entretanto, o bom escritor pode fazer uso de uma epígrafe de forma que a desloque da condição de acessório para a de essencial à diegese. Conta-se que boa parte dos escritores ainda veem a epígrafe como um adorno, "cereja de bolo" ou algo do tipo, o que enfatizaria a nossa visão dela como termo acessório. Entretanto, é possível considerar tal recurso como indissociável da narrativa vigente, se levarmos em consideração os estudos de Wayne C. Booth, que dizem, não bem com essas palavras, que epígrafes, notas de rodapé (ao menos as do próprio autor ou mesmo de um personagem da trama), títulos, elementos de composição secundária fazem parte de uma "ótica" criada especificamente para aquela obra. Se levarmos em consideração esse ponto de vista, fica difícil não prestar atenção à importância de uma epígrafe, bem como de sua relação com os acontecimentos narrados.  
Sendo assim, a epígrafe ganha função que vai muito além de "capturar a atmosfera" da obra, podendo até servir de prolepse (antecipando eventos importantes que ainda serão apresentados ao leitor) ou ironizar um contexto ali exibido.
Alguém que leve em consideração esse tipo de interpretação textual tenderá a sempre buscar compreender a função estética de uma epígrafe específica. O autor, por sua vez, se sentirá forçado a pensar essa mesma função, o que abre um novo plano de diálogo entre autor, obra e leitor. Penso, por exemplo, na epígrafe de Deixe-me entrar, de John Lindqvist:

I never wanted to kill
I am not naturally evil.
such things I do
Just to make myself
more attractive to you.
have I failed?
Morrissey, Last of the famous international playboys.

Percebamos a relação intertextual entre a obra de Lindqvist e a epígrafe, retirada de uma canção do Morrissey. A ideia de matar para tornar-se mais atraente a quem amamos ganha dimensões diferentes ao considerarmos que Deixe-me entrar conta a história de um vampiro (as adaptações para o cinema são também bastante conhecidas). Não quero encher esse texto de spoilers, mas convido o leitor a examinar com mais cuidado a força que tem a epígrafe nessa narrativa. 
No mais, ao leitor, deixo aqui a sugestão de prestar mais atenção ao recurso estético de que falamos. Talvez, fosse divertido selecionar suas epígrafes preferidas. Já ao escritor, sugiro a observação minuciosa de seu texto, perguntando-se até onde é necessária uma epígrafe e, caso ela exista, que relações semânticas apresentamos aos leitores a partir dela.

10/02/2015

Glorificando o híbrido - Parte IV (final)

Atenção! Atenção! A discussão a seguir possui altos níveis de spoiler! Se você ainda não viu/ leu as obras aqui discutidas, cuidado. 


Chegando ao fim de nossa série, depois passarmos pelo cinema (Matrix) e anime (Kill la kill), é chegada a hora de ver um bom exemplo do híbrido na literatura. Para tanto, vamos ver o que acontece em Rei Rato, do mestre da weird fiction China Miéville (foto da direita). 
Numa Londres cerda de criaturas abomináveis que se esgueiram quase invisíveis pelos becos e esgotos, uma dessas criaturas governas todos os imundos ratos da cidade. O conflito começa quando um ser misterioso resolve destruir o Rei Rato: o flautista de Hamelin. Ele tem o poder de, através de sua música, controlar toda a população e fazê-la atender suas ordens. Para cada tipo de criatura, o flautista deveria tocar uma música diferente.
Vendo que não seria páreo para o flautista, Rei Rato decide ir atrás de seu "herdeiro", Saul Gramond. Saul é o híbrido, filho de uma aventura de seu pai com uma humana, que agora terá de despertar seu lado sombrio. Assim, vamos acompanhando toda a adaptação de Saul ao mundo sombrio dos esgotos, tudo acompanhado da batida veloz do jungle e do drum'n'bass. Durante esse aprendizado, o flautista também começa a caçá-lo para que toda a raça dos ratos seja destruída. 

Confronto final

No duelo final entre o flautista e Saul, vemos o quão poderoso é o antagonista, quando, com a música de seu instrumento, faz com que todos os humanos e ratos estejam sob seu domínio, entretanto, Saul consegue escapar do então iminente massacre dentro de uma casa de show, pois ele não é rato, nem humano. Sua hibridez faz com que o flautista não consiga dominá-lo e, assim, saia derrotado. Complementando o encerramento, vemos a clara mensagem política de celebração da miscigenação e da organização de uma sociedade que não se submeta aos caprichos de seus líderes. É possível ver o futuro como um ambiente de preservação da identidade e, concomitantemente, da promoção da diversidade. 

Concluindo

O que podemos ver a partir das três obras aqui apresentadas é que nas últimas décadas, a produção artística a nosso redor parece também ter se preocupado em promover a diversidade étnica e cultural. Escrever é sempre um ato também político e, como tal, serve de material para reflexão sobre nossos rumos em tempos de crises econômicas e políticas separatistas e/ ou persecutórias. Vale a pena ver o que cada um dos híbridos tem a dizer, perceber até onde somos como eles e ver o que podemos aprender com eles. Fica o convite. 

Perdeu as outras partes? Veja aqui as partes I , parte II e parte III da discussão!
 

15/10/2014

Glorificando o híbrido (parte I)


Saudações, meus amigos! Aqui vou eu aproveitar que estou com menos preguiça de pensar e trazer novos debates. Sem mais delongas, vamos nessa!
Em toda a história da humanidade temos muitos embates ideológicos e, em sua maior parte, todos apresentados de forma binária, maniqueísta: bem contra mal, Platão contra Aristóteles, capitalistmo contra socialismo e assim por diante. Porém, a situação de meio-termo dentro desses embates sempre causa muita confusão e acaba desfazendo, diluindo os limites entre os dois elementos até então vistos como antagônicos, excludentes. Assim, surge uma espécie de "terceira via" que incomoda muito aqueles que refletem sobre outro embate dicotômico, que é o alvo de nossa discussão aqui: purismo versus hibridismo. 

A era da pureza

Entendamos aqui como purismo a tendência que muitas pessoas tem de de se posicionarem contra a mistura, o que faz com que sua organização de pensamento seja binária. Para essas pessoas, seria inadmissível que um elemento A pudesse incorporar características de um elemento B, ou seja, ou você é homem, por exemplo, ou mulher; ou você é rico ou pobre, etc. Mesmo que casos que desafiem essa visão binária do mundo ocorram à perder de vista, tal purismo tem sido, talvez até hoje, na maior parte das nações, o pensamento majoritário (nem sempre da maioria númerica, é bom salientar). 


Nem uma coisa, nem outra

Parece discurso da Marina Silva, mas com a natural interação social entre os povos, as ideias que eram tidas como absolutas para uns têm tido seus limites atenuados ou, em muitos casos, completamente destruídos. As concepções e convicções de ambos os lados são permanentemente transgredidas, criando um elemento destoante: eis o híbrido, um elemento que ganha cada vez mais força, tanto que, se nos inspirarmos pelos estudos filosóficos das últimas décadas, torna-se cada vez mais difícil conceber uma única realidade, bem como conceber nossa realidade como imutável e absoluta.
Mas por que cargas d'água falamos disso aqui, num mero blog literário? A resposta é simples: o hibridismo tem sido um dos pontos principais a se discutir também nas artes, especialmente dos anos 80 para cá. Mais ainda: há um discurso presente em boa parte dessas obras em favor desse hibridismo.

Como assim, discurso em favor do híbrido? Para explicar melhor, tomamos como exemplos três obras distintas, como já é costume aqui no blog, de campos da arte igualmente distintos. Primeiramente, veremos o caso na trilogia Matrix (em especial, o terceiro filme, Matrix Revolutions [2003]). Em seguida, nuances desse hibridismo no anime Kill la Kill (2013) e, por fim, no campo da literatura, observando Rei Rato, de China Miéville (2011). Será que dá para relacionar obras tão diferentes de acordo com o tema aqui de nosso debate? É o que veremos logo mais.

Continua...

28/11/2012

Novo livro à vista!



Pois bem, pessoal, cá estou eu para anunciar o lançamento de mais um livro de que faço parte, organizado pelo Prof. Dr. André de Sena (UFPE), trazendo uma série de artigos sobre literatura ffantástica.
 “Literatura fantástica e afins” (Ed. UFPE) será lançado no Miniauditório 01 do Centro de Artes e Comunicação (CAC/UFPE), no próximo dia 30 de novembro, às 16h30, dentro de um evento acadêmico organizado pelo NIG e Belvidera, núcleos de pesquisa do Depto. de Letras da referida Universidade. Todo(a)s convidado(a)s!

11/07/2012

Sobre "A escuna voadora"

Pois bem, aos que acompanham este blog sabem que pouco me atrevo a escrever em alguns segmentos, não tanto por não gostar, mas por achar que ao me saio tão bem nestes quanto em outros estilos ou temáticas. O steampunk é um destes gêneros em que não me sinto tão à vontade, mas é fato que, graças a grandes discussões sobre o gênero que tenho tido com outros autores, inclusive Félix Maranganha, que parece estar criando o caatingopunk, espécie de steampunk nordestino (falando de modo bem superficial), tenho me interessando mais por ele. Tanto que disto saiu o resultado: o primeiro conto caatingopunk que escrevi na vida. A escuna voadora traz a vida de uma família humilde da João Pessoa do século XIX que tem a chance de conseguir prestígio e dinheiro, graças à inventividade do  dono da casa. Entretanto, a mulher lhe apurrinha durante este processo, o que faz com sua criação, uma escuna voadora movida a vapor, tenha um gosto não mtão palatável. 
Dentro em breve mais notícias. 


02/07/2012

Sobre "A queda da primeira-dama"

Interessante como sempre me soa legal ter a vida a dois como ponto de partida para muitos dos meus contos. Esse não foge à regra, sendo também mais um da leva fantástica que vem por aí. A queda da primeira-dama traz um prefeito, homem velho, que está sendo investigado por corrupção. Ele teme à falência, a condenação em juízo. Não se sente mais à vontade da esposa muito mais nova que ele, quer que ela suma. A mulher, por incrível que pareça, não quer abandoná-lo, prefere virar pó junto ao seu amor. Enfim, mais um dos textos dos projetos vindouros terminado. Vamos em frente, atrás vem gente!.


12/06/2012

Sobre Yoko

Saudações, pessoal! Estive ausente por uns tempos por causa das obrigações da vida real, mas vamos lá. Depois de pasar um tempo sem dedicação à ecrita literária, eis que um conto novo surge. O conto "Yoko" traz como eixo um dos grandes clichês temáticos do fantástico: a mulher-demônio. Diversas culturas possuem figuras que se relacionam a esse tema (o fato de sempre se relacionar a mulher ao diabo não vem ao caso agora); e para o meu texto me amparei a algumas falas sobre a kitsune, que segundo a mitologia japonesa, também podia metamorfosear-se numa humana para conquistar suas metas. No texto, trouxe a história de um rapaz que, durante seu intercâmbio profissional no Japão, acaba conhecendo aquela que serias o amor de sua vida. im, Yoko seria, se não fosse pelo comportamento estranho da moça. Enfim, breve tem mais notícias! 


29/03/2012

Sobre "Cemitério de trens".

Mais um conto para a aonda sem pé nem cabeça que estou escrevendo. Aqui temos em Cemitério de trens um casal (já perceberam como adoro casais?) que, após uma farra daquelas, dorme num antigo cemitério de trens, abrigando-se da chuva. O problema surge quando a protagonista acorda e se vê perdida em outra época, ao lado de um rapaz mais estranho ainda, que nem sequer fala sua língua. Desenrola-se sua busca por uma maneira de voltar e compreender o que lhe acomete. Impressionante como, a cada dia, deixo ainda mais a verossimilhança de lado, pelo menos ao modo clássico de ver a coisa. Os elementos mais absurdos tem surgido e trazido imenso prazer em sua fatura. Acho que tudo isso ainda renderá muito.



01/03/2012

Sobre "Devir"

As primeiras incursões na ficção científica começam a se exibir. Neste novo conto, apresento a história de um robô especial, o único modelo fabricado, também o que mais se aproxima em semelhança com o ser humano. Este robô se depara com uma cena absurda: ao retornando de um tempo em stand by, ele vê que algo acabou com todos os humanos. O robô agora vasculha a cidade onde vivia à procura da cientista que a criara, desesperando-se à medida que recolhe dados da situação. Devir é, como já é de se esperar de um conto com apenas um personagem, bastante triste e desolador. Vejamos o que ele rende doravante.


16/02/2012

Sobre "Antes da segunda negra"

Vamos a mais um boletim de produção literária deste que vos fala. Em tempo: há cerca de um mês terminei a primeira escrita do meu romance de estréia, embora só Deus mesmo para saber quando publicar. Ainda no pique, está quase trerminado o segundo livro de contos, sucessor de Balelas (Mutuus, 2011). Quando estiver finalizado, dou mais detalhes, mas saibam que já estou bem próximo dessa conclusão. Antes da segunda negra traz a história de Bionda,  uma jovem de vinte e três anos que ama as raves, clubes e casas de show, apaixonada pela exacerbação sensorial que lhe causa a dança, entre outras coisas. Durante estas festas, Bionda conhece Daniel, rapaz rambém frequentador das noites, por quem se apaixona perdidamente, ao perceber que algo está errado, a moça decide dar a volta por cima. Como os leitores aqui já devem estar habituados, o conto passeia pelo fantástico deliberadamente. 
Por enquanto é só, aguardemos novas escritas. Amplexos.


14/02/2012

Lançamento de "Balelas" em Campina Grande

 
Pessoal, vejam o cartaz acima com todas as informações: estou lançando Balelas na cidade de Campina Grande - PB neste sábado. Também participarei de um bate papo sobre RPG e ficção científica, tudo como parte do III Encontro de Literatura Contemporânea, realizado pelo Núcleo Blecaute. Vamos nessa.

06/02/2012

III Encontro de Literatura Contemporanea - Campina Grande - PB


Finalmente saiu a programação do III Encontro de Literatura Contemporanea organizado pelo Núcleo Blecaute do qual fazem parte João Matias e Bruno Gaudêncio. O tema desde ano é Saudades do Futuro: a ficção científica no Brasil e no mundo.
Os membros do Caixa Baixa Roberto Menezes e Wander Shirukaya participarão de dois bate-papos e lançarão os seus livros junto com Bruno Ribeiro. Pra terminar haverá o Sarau Caixa Baixa pra agitar a noite da cidade
Os detalhes estão no site: http://novaconsciencia.com.br/
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Abaixo a programação completa:
SAUDADES DO FUTURO: A FICÇÃO CIENTÍFICA NO BRASIL E NO MUNDO
III ENCONTRO DE LITERATURA CONTEMPORANEA
SAUDADES DO FUTURO: A FICÇÃO CIENTÍFICA NO BRASIL E NO MUNDO
Sábado, Dia 18/02/2012, no CEDUC II (Centro de Educação da UEPB), em Campina Grande, Paraíba.
09h00 – Palestra de Abertura: “A edição e tradução de Ficção Científica no Brasil” – com o escritor Bráulio Tavares (PB) – Mediação: Bruno Gaudêncio.
10h30 – Bate-papo I- “Ficção científica: um gênero político?” – com o crítico literário Germano César (PE) e o filósofo Eustáquio Silva (PE) – Mediação: Janailson Macêdo
14h00 – Bate-papo II – “Verdades científicas em ficções imaginadas” – com o escritor e físico Roberto Menezes (PB) e o cientista Tiago Massoni (PB) – Mediação: João Matias de Oliveira.
15h15 – Lançamento dos livros: Balelas, de Wander Shirukaya (Contos, Mutuus) e Despoemas, de Roberto Menezes (Contos, Atalho)
15h30 – Bate-papo III – “Realismo fantástico, RPG e a escrita de ficção científica” – com os escritores André de Sena (PE), Wander Shirukaya (PB) e Ricardo Kelmer (SP) – Mediação: Bruno Ribeiro
16h45 – Lançamento dos livros: O Irresistível Charme da Insanidade, de Ricardo Kelmer (Romance – Editora Arte Paubrasil), Assinatura, de Valberto Cardoso (Poesia, editora idéia),
17h00 – Palestra de Encerramento – “Narrativas de realismo fantástico, de ficção científica e de teor místico/macabro no conto brasileiro recente” – com o escritor e crítico literário Rinaldo de Fernandes (PB) – Mediação: Flaw Mendes
18h15 – Relançamento dos livros: O Professor de Piano (Contos, 7letras) e o Perfume de Roberta (Contos, Garamund), de Rinaldo de Fernandes.
18h30 – Sorteio de livros e lançamento de Poluição Mental, E-book de Bruno R. R. Santos
19h00 – Sarau do Núcleo Literário Caixa Baixa no Vitrola Bar
Informações: (83) 8844.9131 / revistablecaute@gmail.com


Texto e foto extraídos do blog do CAIXA BAIXA. Fonte:  http://caixabaixa.org/2012/02/04/iii-encontro-de-literatura-contemporanea/

26/01/2012

Sobre "Mãos, gazes e ataduras"

Conto novo, ainda na mesma linha dos últimos. Célia, uma artista plástica bem sucedida na vida se casa com um rapaz também artista plástico, com quem conviveu durante sua formação acadêmica. O problema surge quando o marido faz uma estranha escultura que a amedronta por causa do extremo realismo. Mãos, gazes e ataduras se junta à leva de contos que exploram as vertentes do fantástico. Provavelmente estes contos formarão o novo livro que está por vir. Aguardemos.


09/01/2012

Sobre "Ensaios"

Uma moça vai ao cinema na primeira sessão da quarta-feira, quase ninguém no local. Ela se preocupa mais com o balde de pipoca do que com o filme, de tão chato e tedioso que estava. As coisas então só pioram com o fim da sessão. Ela, ao sair da sala, se vê imersa no cenário do filme a que assistia, no papel da protagonista. omeça então a busca de Carolina por libertar-se do acontecimento absurdo. Ensaios é o primeiro conto escrito do ano, já chegando com um marco no meu ofício, pois é o conto mais longo que já escrevi (sou contista de poucas laudas). A narrativa é mais uma de minhas experiências com o fantástico, elemento que venho estudando nos últimos tempos. Por ser muito longo, dificilmente apresentarei este conto por aqui, infelizmente. 

22/12/2011

Sobre "Os besouros"

Conto novo terminado. Mais um fantástico. Este, por sua vez, pendendo mais para o naturalismo/ dangerous writing/ ultra-violence (ué? não são a mesma coisa ou quase?). Os besouros tem um conflito comum em nossos dias: uma moça bêbada, um beco escuro, sete homens à procura de farra. O resultado é um violento estupro que traz consequencias inimagináveis, conforme o leitor perceberá. Mexer com os clichês do fantástico é interessante, e este conto, sendo assim, flerta com eles em muitos pontos. Não é um dos mais esquisitos que já escrevi, mas, com certeza, é um dos textos mais violentos. Vejamos o que rende em breve.


Foto: http://www.heruni.com/wp-content/uploads/2011/10/drunk_girl.jpg

25/11/2011

A dança das abelhas






Sei que muita coisa que eu fiz eu não quis
Sei de muita coisa que eu quis que eu não fiz”.
Marcos Valle, “Vinte e seis anos de vida normal”.




Se soubesse que tudo ia acabar assim, teria sumido há mais tempo. Será que me acham logo? Um trago forte no cigarro se vai; interior se faz paisagem, campos brilhando em verde, sol, margaridas e dentes-de-leão. Melissa, a menina do papai, nem de longe é mais menina. Cedo ou tarde vão me encontrar. A mãe dela deve estar aflita, afoita, Melzinha do céu, onde é que você tá? Por que não perguntou antes, mãe? Aqui é minha nova família.

É muito fácil achar que isso é rito de passagem. Passagem de quê? Existem crianças assim, tão velhas? Pois saibam que a Melissa não é criança só por que deixou de trabalhar, ela bem sabe que o preço é alto por sobrevoar as pedras e buscar vôos cada vez mais amplos. Moça, por favor, não pode fumar aqui. Demorou pra alguém me encher o saco. No que atirei os restos e cinzas pela janela, a estrada se fez mais lerda. Caralho! A Mel é moça sem sorte mesmo, nem no início de nova jornada com seu rebento ela tem sorte. O ônibus no acostamento; todos descendo pra quem sabe um pouco de ar. 

Desci um pequeno morro de beleza rasteira, um ou outro espinho de planta chata picando as panturrilhas, nada perante outras picadas já levadas. Nem sinto dor. Ali sim era possível um cigarro; tremendo um pouco – nervosismo, vou ser pega? Olhando o belo corpo de três meses, desnorteio e deixo cair o maço. E a Mel despenca quando ao se abaixar pra recolher, sente o pólen das margaridas beijando seu nariz. 

E deitada entre as flores sinto o corpo formigar, olho o sol com olhos bem apertados, dia seco e sem vento me lembrando que nada é pra sempre. Minha fuga, até quando? E ela ouve a voz da mãe e do pai em línguas de choro, Mel, Melissa, cadê você, minha filha?! Tem abelhas zanzando por aqui. Elas se balançam indiferentes, eu posso ver, mesmo deitada. Duas aqui perto do meu punho, circulando uma margarida, nem sei se vagarosas ou velozes, dançam. É um chamado, não? Elas trabalham felizes, mas como ter certeza da felicidade sem sorriso? A Mel sempre sorria, mas não sabia que ela era tão infeliz, deve estar chorando a minha mãe. Sinto um espirro entalando aqui, por dentro do nariz. As abelhas. Mãe, você queria que eu fosse uma abelha, né? Operária, humilde, cuidando de flor, zangão e rainha, um mel de mulher? A Melzinha não conseguiu, prendeu-se cedo, amadureceu tarde – isso se amadureceu. A Mel quer ser abelha pra quê? Talvez repare algo, talvez conforte mais que as picadas que levei; elas não parecem reclamar, ainda por cima dançam. E dançam bem, flertam comigo, circulando as margaridas enquanto os dentes-de-leão aguardam. Não parecem reclamar. Mas por que não posso ser assim? Por que não consigo? Você não ligava e agora quer nossa ajuda, a mãe da Mel deve pensar quando ela voltar. As abelhas dançando, sol forte, olho que vê entre um matagal de cílios. Isso é a verdade, meu Deus? Ah, mãe, volto ou não? O pólen engasgando, espirro.

Me levanto um pouco tonta, andando em círculos, mas me sentindo mais leve; e a Mel sobrevoa com o olhar a paisagem, nenhum ônibus – será que foi embora? A Mel vislumbra o campo e suas flores, vento da tarde chegando, entre margaridas. A Mel deixa de manha, voando pra o trabalho.




Texto para a reunião do Clube do Conto de 07/10/2011. Tema: “pólen”.
Foto: http://stcmmrrbpp1311.files.wordpress.com/2011/10/girl-in-field.jpg

16/11/2011

Sobre "Batucada"

A produção contística? Vai muito  bem, obrigado. Mais uma prova disso é Batucada, texto que comento um pouco a partir de agora. As minhas incursões sobre o fantástico continuam, mas, como de praxe, é preciso novas buscar novas formas de tornar a coisa mais legal e diversificada. Como comentar o narrador deste conto condicionaria demais o leitor a seguir minha linha de pensamento, mostro coisas diferentes. Temos uma garotinha, muito triste, que ao presenciar um espancamento de sua mãe por parte de seu pai, tranca-se no quarto com seu pequeno xilofone, tocando-o o mais alto possível para não ter de ouvir os gritos e pancadas. Como se vê pelo enredo, o conto é muito pesado, violento e transmite uma sensação de incômodo muito grande, uma vez que que retrata um problema muito grave de nossos dias: a violência doméstica/ familiar. Camélia, a menininha, é muito pequena e indefesa, impossibilitada de fazer algo pela mãe. o foco é mostrar a agonia dela  diante daquela rotina que, bem sabemos, não é desejada à criança alguma em nossa sociedade. Vejamos o que virá então logo mais. Bye!


13/11/2011

Steampink

Boa tarde, pessoal. Atendendo a pedidos, eis aqui meu primeiro excercício no campo da resenha/ crítica literária. Para iniciar a empreitada, discorro algumas palavras sobre Steampink, antologia de contos steampunk escritos exclusivamentes por mulheres. 
Antes de mais nada, cabe aqui explicar um pouco sobre os critérios de avaliação em que me ampararei, evitando assim uma leitura excessivamente impressionista, o que, a meu ver, não seria muito proveitosa. Ao comentar os textos a seguir, tomo como prioridade a forma (sim, sou aristotélico), isto é, que procedimentos estéticos foram utillizados pelas autoras para construir suas narrativas. Isso não implica dizer que desprezarei o conteúdo, até porque, os bons entendedores da crítica sabem que isso seria impossível, bem desastroso, já que o próprio conteúdo pode determinar a forma. Também não darei nota ao livro ou aos contos por achar isso uma medida muito determinista e rotuladora. Cabe ao leitor desta resenha interpretar o texto e levantar suas próprias especificidades a posteriori. Sendo assim, mão à obra!

Sobre o processo de edição
A Estronho é uma editora muito recente no mercado, mas que já chama muito a atenção por sua proposta de encher os olhos do leitor com livros não só aprazíveis no campo da leitura. Isso é visto com facilidade em Steampink (Belo Horizonte: Estronho, 2011). Tanto capa e diagramação estão muito bem feitas, cumprindo o papel de cativar quem se depare com ele, convidando posteriormente a ler seus 13 contos. O livro traz cuidado esmeradíssimo, inclusive no interior. Não tive dificuldades para ler, mas achei o tamanho da fonte um pouco pequeno, o que pode, acredito, causar algum entrave a quem tiver eventuais probleminhas de visão. A revisão deixou muito a desejar, infelizmente. Digo "infelizmente" por gostar e reconhecer o empenho da editora em propagar a Literatura Fantástica, mas é fato que que em absolutamente todas as narrativas percebi falhas nesse sentido, fato devidamente confirmado e comentado pela editora aqui, corroborando sua humildade em reconhecer e evoluir com seus lapsos. 
No mais, a organizadora Tatiana Ruiz pôs a mão na massa para selecionar 13 narrativas que compusessem um panorama da produção steampunk brasileira de autoria feminina. Romeu Martins, do Conselho Steampunk assinou em baixo a proposta através de seu prefácio. E quanto aos conto? Bom, vamos a eles.

Modernizando o passado

A expressão deste subtítulo cai como luva aos pressupostos da temática steampunk. Além disso, ela mostra que muitas autoras se destacaram pelo saudável caminho de remeter/dialogar/reverenciar as tradições literárias. Isso notadamente enriquece suas narrativas e abre mais possibilidades de leitura. Exemplo clássico disso é "O pena e o imperador", da Nikelen Witter, que deixa clara a influência machadiana tanto no conteúdo, já que o enredo nos apresenta um cientista reflete sobre a composição ou existência da alma humana, partindo de seus procedimentos científicos (difícil comentar sem entregar o ouro), quanto na forma, em que narra apontando leves intrusões: "É mais fácil acreditar na conversa que o Pena teve com o padre Onório e este contava sempre que tomava um cálice a mais de vinho da Eucaristia[...]" (pg. 132). Já em dois contos "primos", Ha-Mazan, da Lidia Zuin, e "Homérica Pirataria", da Dana Guedes, ambos contos retratando o mundo das nevagações audaciosas, percebi um pouco da sombra de um dos maiores capitães de todos os tempos (não, não é o Jack Sparrow, amigo: Ahab. O famoso personagem de Moby Dick é famoso por sua obsessão doentia em vencer a lendária baleia branca. De forma similar, os protagonistas dos dois contos aqui comentados agem de modo parecido. Os contos então sustentam um ar heróico, grandioso. O que muda é a forma: enquanto em "Homérica Pirataria" vemos certa reverência não só a Mellville, mas às história de pirata que lemos desde a infância, "Ha-Mazan" ousa por trazer uma tripulação totalmente composta por mulheres inescrupulosas e também por brincar com a focalização, uma vez que o leitor pode perceber que ela se aterna entre as figuras da capitã Izobelle e de sua "escudeira" Yamka. 
Se os dois contos supracitados dialogam de modo mais velado com a tradição, em "O poeta, a donzela insolente e o livro do tempo", da This Gomez, ela está escancarada em cada linha, tanto que vemos a ficcionalização de dados biográficos do mestre Álvares de Azevedo na composição da narrativa. De final muito bem arranjado, o conto também é feliz em evitar descrições exacerbadas e cansativas situando o leitor da maneira mais prgmática possível: "Itaboraí, Março de 1852" (pg. 50). A amiga (a quem já entrevistei aqui) Amanda Reznor parece ter optado pelo mesmo recurso, voltando-se apenas para uma narrativa mais suave, o que comprova seu tino para a literatura infanto-juvenil. Talvez o leitor se pergunte se os corvos mecânicos que são lubrificados com sangue de "A dama dos corvos" sejam realmente suaves. A meu ver sim, pois a violência está muito estilizada, o que a suaviza. O fato de termos corvos lubrificados com sangue em sua temática é algo inverossímil, o que contribui para a inquietação típica do texto fantástico, apenas. Além do mais, os corvos nao compoem o cerne da narrativa, que busca uma versão alternativa para o surgimento do gramofone. 
Diálogo interessante de se vertambém pode ser visto no conto da organizadora da antologia, Tatiana Ruiz. "Sem mais finais felizes" adapta uma das histórias mais adaptadas de todos os tempos, a de Chapeuzinho Vermelho, para o cenário do vapor.



Incursões estéticas interessantes


Durante a leitura de Steampink o leitor também se deparará com contos que ganham muito a partir da forma mesmo. Em "Sonha o corvo um sonho negro", da Leona Volpe, a narração faz com que uma típica história-de-amor-água-com-açúcar  se torne algo legal de acompanhar, já que o tempo todo a narração parece ser em segunda pessoa, forma narrativa arcaica e muito pouco usada, evitada, por ser considerada pouco verossímil. Entretanto, vejam que disse que parece. Na verdade a narradora dá essa impressão propositalmente: "Você voltou seus olhos negros para os meus e sorriu através deles, erguendo-se de sua poltrona vermelho-fogo, e subindo as escadarias de mármore claro [...]" (pg. 104). Vemos que há uma narradora que o tempo todo se volta para um "você", o que traz a impressão interessate de narração em segunda pessoa em boa parte do conto. Elucidar mais esse fato sem entregar o fim se torna difícil.
Em minha opinião, o melhor conto da leva "O terceiro reinado" da Georgette Sillen, tse encaixa facilmente ao que o Todorov diria ser o fantástico puro, ou seja, aquele conto que te perturba através de um evento insólito, adverso e sem resolução ao final da narrativa. As portas para a perplexidade e para a especulação se abrem nesta história ambientada no Rio de Janeiro oitocentista  e embasada em elementos políticos, que abrem mais interpretações ao conto. O final é como manda o figurino da literatura fantástica, sem dúvida prova da competência da autora. 


Nem todo vapor esquenta

Nem tudo são flores, alguns contos me passaram má  impressão, especialmente por serem excessivamente carregados. O que quero dizer com isso? Que alguns contos, tais como "A arma", da Lívia Pereira, "As irmãs taylor" da Verônica Freitas e "Escrito no tempo", da Lyra Collodel, para citar alguns, apresentam excessos tanto no conteúdo quanto na forma. No enredo isso faz com que o leitor se perca facilmente (no mau sentido) por causa da trama embolada. Isso talvez funcionaria numa narrativa mais longa, uma novela ou possível romance, onde se teria mais tempo/ espaço para destrinchar as coisas, mas se há uma coisa que o velho Poe disse e é verdade é que um conto pode até pecar pela falta, mas nunca pelo excesso. Na forma isso está bem claro, dada a quantidade de adjetivos parecidos/ repetidos que podiam ser facilmente cortados da narrativa. Talvez isso transpareça certa incipiência por parte destas autoras, fato que também não as põe como ruins, apenas não acertaram a mão desta vez. Convido o leitor a ver se tenho razão nesse sentido. 

Conclusão

Steampink trem seus defeitos, mas é indubitávelmente um bom livro, traz diferentes formas de ver um estilo que está começando a se propagar em terras tupiniquins, o que pode servir tanto de cartão de visita quanto a convite a novos escritores descobrirem seu gênero preferido. A produção do livro o faz bastante encantador, desde a sua capa. Alguns contos se apresentam como verdadeiros achados, o que trará imenso prazer ao leitor ávido por sangue novo. Fica então o convite a quem interessar, desbravem o mundo que a autoras de Steampink lhe apresentam.



11/11/2011

Sobre "Em caso de despressurização..."

Mais um conto novo para a série enveredando pelo fantástico e vertentes. Em caso de despressurização da cabine máscaras não cairão automaticamente é um conto denso, triste e, especialmente, esquisito. procurei transformar a pieguice do amor romântico em algo mais nauseante. O texto traz-nos um rapaz que vive uma intensa relação de amor com um anjo. Micaela, a criatura alada, é um ser de extrema devoção afirmando ser capaz de qualquer coisa por amor. Com base nisso, o protagonista lhe pede que ponha um fim em um sofrimento a que não temos (ou temos pouco) acesso, culminando numa catástrofe. 
É certo que o incomoda o leitor, acredito eu, seja a pouca expressão textual. Outra característica interessante é o uso de muito discurso direto, algo que raramente utillizo. Há outros recursos interessantes, mas eles estragariam a surpresa do final. 
Em breve trarei mais algum conto para este blog, já que faz tempo que não o faço. Não sei exatamente se se será o conto que comentamos agora. Esperemos o inesperado sempre, pois é bastante saudável. 


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