"Ascensão e queda": romance de estreia!

Saiba como adquirir seu exemplar.

Contos de Wander Shirukaya

Para aqueles que querem conferir o que tenho escrito, dêem uma olhada aqui!

Tergiverso

Sensualidade em forma e conteúdo aguardando sua visita.

O híbrido e a arte

Animes, cinema e literatura

Procurando entrevistas?

Amanda Reznor, André Ricardo aguiar, Betomenezes... Confira estes e tantos mais entrevistados por Wander.

21/11/2011

Sobre "Vinho lilás"

Contos, contos e mais contos! Prova de que a "corda no pescoço", isto é, a sobrecarga de tempo, podem sim fazer bem e estimular a criatividade de alguma maneira. Conto escrito para participação na reunião do Clube do Conto desta semana, Vinho lilás é mais uma adaptação. Desta vez a canção adaptada é um clássico do cenário indie, a balada Lilac Wine, do espetacular Jeff Buckley. Sendo assim, temos a história de de alguém que chora e sofre pela confusão interna que vive. A moça aguarda o esposo para um jantar de reconciliação, o tempo passa, quando ela, já desgostosa e embrigada, se dapara com ele abrindo a porta. E agora? Bom, a música deve dar pistas do que se sucede. Então, deixo vocês com ela. Abraços.





16/11/2011

Sobre "Batucada"

A produção contística? Vai muito  bem, obrigado. Mais uma prova disso é Batucada, texto que comento um pouco a partir de agora. As minhas incursões sobre o fantástico continuam, mas, como de praxe, é preciso novas buscar novas formas de tornar a coisa mais legal e diversificada. Como comentar o narrador deste conto condicionaria demais o leitor a seguir minha linha de pensamento, mostro coisas diferentes. Temos uma garotinha, muito triste, que ao presenciar um espancamento de sua mãe por parte de seu pai, tranca-se no quarto com seu pequeno xilofone, tocando-o o mais alto possível para não ter de ouvir os gritos e pancadas. Como se vê pelo enredo, o conto é muito pesado, violento e transmite uma sensação de incômodo muito grande, uma vez que que retrata um problema muito grave de nossos dias: a violência doméstica/ familiar. Camélia, a menininha, é muito pequena e indefesa, impossibilitada de fazer algo pela mãe. o foco é mostrar a agonia dela  diante daquela rotina que, bem sabemos, não é desejada à criança alguma em nossa sociedade. Vejamos o que virá então logo mais. Bye!


13/11/2011

Steampink

Boa tarde, pessoal. Atendendo a pedidos, eis aqui meu primeiro excercício no campo da resenha/ crítica literária. Para iniciar a empreitada, discorro algumas palavras sobre Steampink, antologia de contos steampunk escritos exclusivamentes por mulheres. 
Antes de mais nada, cabe aqui explicar um pouco sobre os critérios de avaliação em que me ampararei, evitando assim uma leitura excessivamente impressionista, o que, a meu ver, não seria muito proveitosa. Ao comentar os textos a seguir, tomo como prioridade a forma (sim, sou aristotélico), isto é, que procedimentos estéticos foram utillizados pelas autoras para construir suas narrativas. Isso não implica dizer que desprezarei o conteúdo, até porque, os bons entendedores da crítica sabem que isso seria impossível, bem desastroso, já que o próprio conteúdo pode determinar a forma. Também não darei nota ao livro ou aos contos por achar isso uma medida muito determinista e rotuladora. Cabe ao leitor desta resenha interpretar o texto e levantar suas próprias especificidades a posteriori. Sendo assim, mão à obra!

Sobre o processo de edição
A Estronho é uma editora muito recente no mercado, mas que já chama muito a atenção por sua proposta de encher os olhos do leitor com livros não só aprazíveis no campo da leitura. Isso é visto com facilidade em Steampink (Belo Horizonte: Estronho, 2011). Tanto capa e diagramação estão muito bem feitas, cumprindo o papel de cativar quem se depare com ele, convidando posteriormente a ler seus 13 contos. O livro traz cuidado esmeradíssimo, inclusive no interior. Não tive dificuldades para ler, mas achei o tamanho da fonte um pouco pequeno, o que pode, acredito, causar algum entrave a quem tiver eventuais probleminhas de visão. A revisão deixou muito a desejar, infelizmente. Digo "infelizmente" por gostar e reconhecer o empenho da editora em propagar a Literatura Fantástica, mas é fato que que em absolutamente todas as narrativas percebi falhas nesse sentido, fato devidamente confirmado e comentado pela editora aqui, corroborando sua humildade em reconhecer e evoluir com seus lapsos. 
No mais, a organizadora Tatiana Ruiz pôs a mão na massa para selecionar 13 narrativas que compusessem um panorama da produção steampunk brasileira de autoria feminina. Romeu Martins, do Conselho Steampunk assinou em baixo a proposta através de seu prefácio. E quanto aos conto? Bom, vamos a eles.

Modernizando o passado

A expressão deste subtítulo cai como luva aos pressupostos da temática steampunk. Além disso, ela mostra que muitas autoras se destacaram pelo saudável caminho de remeter/dialogar/reverenciar as tradições literárias. Isso notadamente enriquece suas narrativas e abre mais possibilidades de leitura. Exemplo clássico disso é "O pena e o imperador", da Nikelen Witter, que deixa clara a influência machadiana tanto no conteúdo, já que o enredo nos apresenta um cientista reflete sobre a composição ou existência da alma humana, partindo de seus procedimentos científicos (difícil comentar sem entregar o ouro), quanto na forma, em que narra apontando leves intrusões: "É mais fácil acreditar na conversa que o Pena teve com o padre Onório e este contava sempre que tomava um cálice a mais de vinho da Eucaristia[...]" (pg. 132). Já em dois contos "primos", Ha-Mazan, da Lidia Zuin, e "Homérica Pirataria", da Dana Guedes, ambos contos retratando o mundo das nevagações audaciosas, percebi um pouco da sombra de um dos maiores capitães de todos os tempos (não, não é o Jack Sparrow, amigo: Ahab. O famoso personagem de Moby Dick é famoso por sua obsessão doentia em vencer a lendária baleia branca. De forma similar, os protagonistas dos dois contos aqui comentados agem de modo parecido. Os contos então sustentam um ar heróico, grandioso. O que muda é a forma: enquanto em "Homérica Pirataria" vemos certa reverência não só a Mellville, mas às história de pirata que lemos desde a infância, "Ha-Mazan" ousa por trazer uma tripulação totalmente composta por mulheres inescrupulosas e também por brincar com a focalização, uma vez que o leitor pode perceber que ela se aterna entre as figuras da capitã Izobelle e de sua "escudeira" Yamka. 
Se os dois contos supracitados dialogam de modo mais velado com a tradição, em "O poeta, a donzela insolente e o livro do tempo", da This Gomez, ela está escancarada em cada linha, tanto que vemos a ficcionalização de dados biográficos do mestre Álvares de Azevedo na composição da narrativa. De final muito bem arranjado, o conto também é feliz em evitar descrições exacerbadas e cansativas situando o leitor da maneira mais prgmática possível: "Itaboraí, Março de 1852" (pg. 50). A amiga (a quem já entrevistei aqui) Amanda Reznor parece ter optado pelo mesmo recurso, voltando-se apenas para uma narrativa mais suave, o que comprova seu tino para a literatura infanto-juvenil. Talvez o leitor se pergunte se os corvos mecânicos que são lubrificados com sangue de "A dama dos corvos" sejam realmente suaves. A meu ver sim, pois a violência está muito estilizada, o que a suaviza. O fato de termos corvos lubrificados com sangue em sua temática é algo inverossímil, o que contribui para a inquietação típica do texto fantástico, apenas. Além do mais, os corvos nao compoem o cerne da narrativa, que busca uma versão alternativa para o surgimento do gramofone. 
Diálogo interessante de se vertambém pode ser visto no conto da organizadora da antologia, Tatiana Ruiz. "Sem mais finais felizes" adapta uma das histórias mais adaptadas de todos os tempos, a de Chapeuzinho Vermelho, para o cenário do vapor.



Incursões estéticas interessantes


Durante a leitura de Steampink o leitor também se deparará com contos que ganham muito a partir da forma mesmo. Em "Sonha o corvo um sonho negro", da Leona Volpe, a narração faz com que uma típica história-de-amor-água-com-açúcar  se torne algo legal de acompanhar, já que o tempo todo a narração parece ser em segunda pessoa, forma narrativa arcaica e muito pouco usada, evitada, por ser considerada pouco verossímil. Entretanto, vejam que disse que parece. Na verdade a narradora dá essa impressão propositalmente: "Você voltou seus olhos negros para os meus e sorriu através deles, erguendo-se de sua poltrona vermelho-fogo, e subindo as escadarias de mármore claro [...]" (pg. 104). Vemos que há uma narradora que o tempo todo se volta para um "você", o que traz a impressão interessate de narração em segunda pessoa em boa parte do conto. Elucidar mais esse fato sem entregar o fim se torna difícil.
Em minha opinião, o melhor conto da leva "O terceiro reinado" da Georgette Sillen, tse encaixa facilmente ao que o Todorov diria ser o fantástico puro, ou seja, aquele conto que te perturba através de um evento insólito, adverso e sem resolução ao final da narrativa. As portas para a perplexidade e para a especulação se abrem nesta história ambientada no Rio de Janeiro oitocentista  e embasada em elementos políticos, que abrem mais interpretações ao conto. O final é como manda o figurino da literatura fantástica, sem dúvida prova da competência da autora. 


Nem todo vapor esquenta

Nem tudo são flores, alguns contos me passaram má  impressão, especialmente por serem excessivamente carregados. O que quero dizer com isso? Que alguns contos, tais como "A arma", da Lívia Pereira, "As irmãs taylor" da Verônica Freitas e "Escrito no tempo", da Lyra Collodel, para citar alguns, apresentam excessos tanto no conteúdo quanto na forma. No enredo isso faz com que o leitor se perca facilmente (no mau sentido) por causa da trama embolada. Isso talvez funcionaria numa narrativa mais longa, uma novela ou possível romance, onde se teria mais tempo/ espaço para destrinchar as coisas, mas se há uma coisa que o velho Poe disse e é verdade é que um conto pode até pecar pela falta, mas nunca pelo excesso. Na forma isso está bem claro, dada a quantidade de adjetivos parecidos/ repetidos que podiam ser facilmente cortados da narrativa. Talvez isso transpareça certa incipiência por parte destas autoras, fato que também não as põe como ruins, apenas não acertaram a mão desta vez. Convido o leitor a ver se tenho razão nesse sentido. 

Conclusão

Steampink trem seus defeitos, mas é indubitávelmente um bom livro, traz diferentes formas de ver um estilo que está começando a se propagar em terras tupiniquins, o que pode servir tanto de cartão de visita quanto a convite a novos escritores descobrirem seu gênero preferido. A produção do livro o faz bastante encantador, desde a sua capa. Alguns contos se apresentam como verdadeiros achados, o que trará imenso prazer ao leitor ávido por sangue novo. Fica então o convite a quem interessar, desbravem o mundo que a autoras de Steampink lhe apresentam.



11/11/2011

Sobre "Em caso de despressurização..."

Mais um conto novo para a série enveredando pelo fantástico e vertentes. Em caso de despressurização da cabine máscaras não cairão automaticamente é um conto denso, triste e, especialmente, esquisito. procurei transformar a pieguice do amor romântico em algo mais nauseante. O texto traz-nos um rapaz que vive uma intensa relação de amor com um anjo. Micaela, a criatura alada, é um ser de extrema devoção afirmando ser capaz de qualquer coisa por amor. Com base nisso, o protagonista lhe pede que ponha um fim em um sofrimento a que não temos (ou temos pouco) acesso, culminando numa catástrofe. 
É certo que o incomoda o leitor, acredito eu, seja a pouca expressão textual. Outra característica interessante é o uso de muito discurso direto, algo que raramente utillizo. Há outros recursos interessantes, mas eles estragariam a surpresa do final. 
Em breve trarei mais algum conto para este blog, já que faz tempo que não o faço. Não sei exatamente se se será o conto que comentamos agora. Esperemos o inesperado sempre, pois é bastante saudável. 


09/11/2011

Livro traz contos com personagens femininas*

por Thiago Germano

Os 16 contos que promovem a estreia de Wander Shirukaya na literatura são, em sua maioria, protagonizados por mulheres. Balelas (Mutuus, 104 páginas, R$ 28,00), livro que o autor lança hoje, às 19h, no Terraço Brasil é mais uma obra que se filia a uma tradição que, na música, encontra sua voz mais expressiva em  Chico Buarque. 
"No meu caso, a opção pelo olhar feminino é uma tentativa de explorar novas possibilidades de escrita", justifica Shirukaya, que é pós-graduando em Letras na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e estuda a obra da escritora Lygia Fagundes Telles.
"Acredito que a literatura não tem sexo, que não existe literatura masculina ou feminina, tudo é literatura, boa ou má", pondera o contista, que é natural de São Paulo, mas já residiu nas cidades de Pedras de Fogo e Itambé, em Pernambuco, admitindo-se meio paraibano, meio pernambucano.
Shirukaya também participa do núcleo literário Caixa Baixa, grupo que aglomera jovens escritores paraibanos, do interior e da capital.


* Matéria retirada do Jornal da Paraíba de 5 de outubro de 2011, dia do lançamento de Balelas em João Pessoa.

07/11/2011

A fidelidade em debate (parte II)

Como disse anteriormente, o tema desta série de postagens é muito interessante pela polêmica que gera, visto os comentários de nosso episódio anterior, no qual até afirmaram que a literatura era uma arte superior e aceitar sua evolução mais avançada perante as outras artes era algo necessário. Bom, sigamos com mais detalhes. 
Adaptar um texto não é uma coisa muito simples, embora estejamos adaptando-os já há muitos e muitos séculos. Embora falemos muito sobre a adaptação de texto literário para texto fílmico, a de maior evidência sem dúvida, podemos adaptar tanto textos do mesmo suporte entre si (reeescrevendo contos de grandes autores, por exemplo), ou adaptando textos de seguimentos artísticos extremamente dissonantes (como seria adaptar sua canção favorita para um jogo de PS3/ Xbox 360?).  Durante nossa observações, dificulta ainda mais termos de nos apegar a três coisas: conhecimento das especificidades do texto A, do texto B e da relação criada a partir da adaptação, levantando seus pontos fracos e grandes procedimentos. Baseando-se nisso, fica muito difícil para nós nos apegarmos exacerbadamente à "fidelidade" como critério de avaliação. 
Voltando à relação clássica literatura-cinema, mostro como exemplo uma das histórias de vampiros mais belas dos últimos tempos (não, não é Crepúsculo, desgraçado leitor): trata-se de Deixa ela entrar (Let the right one in, escrito em 2004 por John Lindqvist), adaptada para o cinema tanto pelo sueco Tomas Alfredson, em 2008 (foto), quanto pelo hollywoodiano Matt Reeves em 2010. Como temos a oportunidade de observar duas versões do mesmo texto literário para o cinema, fica então mais fácil perceber as nuances estéticas de composição a que deveríamos nos ater. A saber, ambos os filmes têm forte similaridade com o texto-fonte. Entretanto, o resultado é bastante adverso. A versão sueca é mais densa, lerda, enquanto a norteamericana é mais ativa, pirotécnica e cheia de efeitos especiais. Logo, o que fica para nós, já que vemos a fidelidade aí em segundo plano, é perceber como os recursos escolhidos pelos diretores influem positivamente ou negativamente no texto de origem.
Com base nisso, o que você, amigo leitor, acha? Participe deste interessante debate. Como digo sempre, o blog é seu!


06/11/2011

Como foi o Fantástico em Pernambuco


Saudações, grandes amigos. Depois de um tempinho curto ausente, trago para vocês um relato do que rolou de mais legal no I Seminário de Literatura Fantástica de Pernambuco, ocorrido nos últimos 03 e 04 de novembro, no CAC/ CFCH da UFPE.

Ficou provado que a academia vem mesmo se importando cada vez mais com esse gênero que por muito tempo foi visto com maus olhos. Percebemos isso desde a participação de nomes de peso da crítica/ produção de litfan brasileira, a saber, Karin Volobuef, Maria Cristina Batalha e Braulio Tavares, que por longas e prazerosas horas discorreram sobre o assunto para auditórios totalmente lotados - algo realmente inesperado.
Abrindo o evento, a pesquisadora Maria Cristina Batalha, da UERJ, exibiu um panorama do fantástico no Brasil, propondo novas tipologias para este, inspiradas nas diferentes abordagens adotadas pelos autores nos últimos séculos. Tivemos também o lançamento de seu O fantástico brasileiro: contos esquecidos (Caetés/RJ), antologia reunindo narrativas que se perderam por motivos diversos, contando com a presença de grandes ícones da literatura, tais como Lima Barreto, Machado de Assis e Aluísio Azevedo.
Já Karin Volobuef brindou o público em sua palestra com detalhes da vida do homenageado do evento: E. T. A. Hoffmann, por muitos tido como o pai do fantástico. Detalhes de sua vida difícil na Alemanha, a influência do romantismo em sua obra e desta em artistas diversos que o sucederam foram explicitadas. Karin também lançou Mito e magia (Unesp/SP). Encerrando o evento, o escritor Bráulio Tavares conduziu um papo muito bem humorado sobre a ficção científica, cyberpunk e afins no país. Outro assunto debatido em detalhes foi a produção de antologias do gênero, ressaltando as dificuldades de organização, as editoras de destaque e os problemas na tradução de contos sci-fi para o português.
Como também fui soltar o verbo, cabe dizer que minha apresentação repercutiu bem, também com auditório cheio. A maior parte das comunicações apresentadas impressionou pela maturidade. Poucos foram os trabalhos que deixaram a desejar. Dentre os bons, vimos  muitos autores nacionais representados e os grandes nomes mundo afora, Borges, Cortázar, Hoffman, também foram tematizados. Chamou a atenção também uma série de trabalhos intersemióticos, como os que estudaram a influência do fantástico na música clássica, em especial em Mozart, Berlioz e Paganini, como também no cinema e nos jogos de RPG. 
Bom, detalhar tudo aqui renderia uma série muito extensa, o que talvez cansaria vocês, leitores. portanto, fiquem com a certeza que hoje é dia de litfan, bebê. Parabéns ao professor André de Sena, organizador do seminário. A arte agradece. Sigamos em frente, pois muita coisa boa ainda está por vir.


Fotos: (1) Stephen King's IT! Exposição de artes de temática fantástica no Hall do CAC/ UFPE. Infelizmente não peguei o nome do autor da tela. Se alguém souber, informe-me para que eu lhe dê os devidos créditos; (2) Karin volobuef em discurso; (3) eu e Mª Cristina Batalha;(4) mesa composta para as apresentações no auditório;(5) eu e o grande Bráulio Tavares.

26/10/2011

Silêncio mais interrompido do que nunca!

Pessoal, é com muito gosto e alegria que trago para vocês uma ótima notícia aos amantes de literatura. O movimento literário Silêncio Interrompido, que tem sacudido artisticamente a mata-norte de Pernambuco nos últimos anos através de seus anárquicos recitais, mostras de vídeos, cartazes e intervenções poéticas diversas, acaba de ser condecorado com a aprovação do projeto do livro "Goiana Revisitada" pelo Funcultura. Também me sinto orgulhoso de fazer parte dessa turma e colaborar com o projeto em sua revisão. No mais, aguardemos, certos de que muita coisa boa vem aí. Como diz o filósofo, "é nóis"! 
Vamos em frente que atrás vem gente!

24/10/2011

Livro I; Cap. XXII: O embate entre os clérigos da guerra

Eis que a fuga se deu, e, durante esta, Kittie explicou que fora torturada por Rorudan e pelo General Heidegger, chefe das tropas de Kandarah. Como não colaborava, acabou perdendo um olho e um braço. Isso a fez revelar que os aventureiros estavam atrás da Vila Parn, o que causaou a prisão deles logo na chegada ao continente do Deserto Verde. Havia ainda dúvidas entre o grupo: parte acreditava que Kittie realmente estava ajudando o grupo, fato que se comprovaria pela contribuição dela na fuga da masmorra do castelo de Junichiro. Por outro lado, alguns do grupo levantavam a hipótese de ser tudo mais alguma tramóia, já que Kittie era uma clériga das trevas. Afinal, por que o interesse de Kittie em ajudar o grupo rumo à Parn? O conflito estava plantado. Dormiram desconfiados durante a jornada, Kittie não apresentou nenhum comportamento estranho, inclusive ajudando em eventuais batalhas. Durante essas o grupo viu sua nova arma. A antiga espada-estrela não mais era manuseada, dando lugar a uma espada aparentemente comum. O fato é que era um ladra das nove vidas, que ao acertar com perfeição um ponto vital do oponente, podia lhe tragar a alma para dentro da espada. Isso causaou ainda mais cautela aos componentes do grupo. 
Já próximo à vila, Dankill, Zephir e os demais se deparam com um rosto conhecido.
- Finalmente os encontrei - bradou Karina. 
- Sua mizera! - Hildegard, arquiinimigo da clériga, prontramente mandou que os demais se afastassem. Teriam um duelo justo para ver quem merecia permanecer vivo.
- Mas Hildegard, não precisamos de um embate, ela está em desvantagem, ignoremos. 
- Vão na frente, saiam daqui e depois alcanço vocês!
Depois de muito relutar, acabram seguindo seus berros para que seguissem sem ele. 
- Vamos confiar, falou Milo, Hildegard é forte, voltará são e salvo.
Enquanto todos se distanciavam seguindo à vila Parn, os dois clérigos se olhavam face a face, sacando suas espadas:
- Esperei tanto por esse momento...

21/10/2011

Entrevistando Amanda Reznor



Quanto tempo não entrevistava alguém? Nem lembro, mas é sempre bom  retomar coisas que são interessantes. E seções interessantes requerem pessoas ilustres. Portanto, trago a vocês, leitores, a entrevista que fiz com a escritora e compositora paulistana Amanda Reznor. Com todo o The Downward Spiral rolando ao fundo (ao menos cá no meu cafofo), falamos sobre litfan, questões éticas, música e tudo mais que você confere a partir de agora. Enjoy!

Wander Shirukaya- por que Amanda Reznor?
Amanda Reznor - porque sou uma grande fã  de Trent Reznor, cantor da banda Nine Inch Nails!

Wander - Trent é famoso pela forma polêmica de se expressar. Você acredita que isso também se reflete na sua arte?
Amanda - acredito que sim, principalmente porque quando me "tornei" Amanda Reznor eu estava na fase "rebelde" da minha adolescência: 17 anos. Foi quando a minha produção musical teve sua maior expressividade, também. Além disso, por causa de bullying sofrido nas diferentes escolas em que estudei, eu acabei nutrindo algum desagrado pelo meu próprio sobrenome.

Wander - você pode citar um exemplo dessa influência em seu estilo?
Amanda - sim. Eu não sou muito afeiçoada às regras. Aprecio e dou ouvidos às boas sugestões que me fizerem, porém gosto de sair do convencional, sempre gostei. Assim, eu costumo usar muito neologismo em meus escritos, não tenho medo de descrever cenas eróticas ou violentas (embora eu prefira dar um sentido a essas descrições, não curto apelo gratuito). Mas acho que a minha irreverência está principalmente nas minhas músicas. Tenho uma, por exemplo, que se chama "Imago Dei" (Deus que se...). É a minha letra mais polêmica, uma vez que eu critico não a Deus ou às religiões, mas sim às pessoas que estão por trás e em meio a isso.

Wander - você também tem afeição pela literatura infanto-juvenil, a qual vemos que questões como sexo ou violência são mais "delicadas". Em tempos de escrita "politicamente correta", como você lida com esse impasse?
Amanda - eu não me importo em agir de forma comportada quando preciso. Também sei respeitar as pessoas e cada momento. Em meu livro solo, Vale dos Segredos, com previsão de lançamento para 2012, há uma trama mais sutil, e a violência ficou sugerida pela imagem da morte e do desespero, alguns parágrafos mais pungentes, porém não está aflorada; e o sexo é praticamente inexistente - só coloquei umas beijocas em uma banheira [risos]. Já em se tratando de um escrito estritamente infantil, tenho um conto chamado "Do Jacaré Guloso Que Queria Comer" e "Do Primo do Jacaré, Que Mordeu o Próprio Pé". Eu diria que é beeem inconvencional, mas não chega a ser impróprio [risos].

Wander - o "filtro" a que a literatura infantil pasa em nosso país é interessante de se debater. Contos para crianças do uruguaio Horacio Quiroga são muitas vezes censurados ou despertam pouco interesse das editoras brasileiras exatamente pelas cenas de violência, enquanto em seu país de origem ou alguns circunvizinhos não há problema algum. Você acredita que a nossa percepção da relação entre violência e criança é muito rigorosa?
Amanda - eu acho que essa questão é um tanto hipócrita, Wander. Afinal, para começar, a leitura é pouco incentivada entre os pequenos, na minha opinião (eu não vejo crianças lendo, a impressão que tenho é que este desejo pela leitura começa a surgir - quando surge! - na puberdade, a não ser que haja não só incentivo, como também exemplo dos pais). E se as crianças não lêem, o que fazem no tempo livre? Assistem à televisão, é claro! E uma minoria tem o luxo da TV paga, então vai canal aberto, mesmo. Fora a Cultura (não querendo fazer propaganda, mas já fazendo) e a Rede Escola, vejo poucos canais com uma programação mais dedicada ao público infantil. Minha filha de três anos, por exemplo, adora o Pica-Pau. Eu tenho mais de 100 DVD's infantis em casa e sabe um dos quais ela mais gosta? Uma animação não muito conhecida por aí, chamada Coraline, baseada em uma história do Neil Gaiman. O Gaiman, como você deve conhecer, não é lá muito bonzinho com os seus temas, porém quando escreve para crianças ele sabe abordar o sombrio, a dor e a morte de formas muito interessantes, até atrativas.

Wander - Pica-pau me parece um bom exemplo de "politicamente incorreto" para crianças.
Amanda - Pica-pau, politicamente correto? Mas ele engana todo mundo e se dá bem no final [risos]!

Wander - correto.
Amanda - ah, sim! Falha minha [risos]!

Wander - acho que ele nasceu no Brasil.
Amanda - é, poderia ser brasileiro mesmo! É a cara do... Bem, deixa pra lá [risos]. É, eu não gosto do Pica-pau, mas não sei por que a minha filha - e acredito que muitas outras crianças - o adoram tanto. Eu lembrei agora de um caso na minha família. Minha tia comprava alguns livros de contos de fada para minha prima (não adiantou muito, hoje em dia a bichinha só quer saber de ficar largada na frente da TV - e depois dos 18 eu acho que tem pouco conserto! [risos]) e havia um deles, em especial, do qual eu gostava muito e pedia para que ela lesse para nós duas, antes de dormir. Um dia eu fui visitá-las e não encontrei mais esse livro. Quando perguntei onde ele estava, minha tia disse que o deu para uma instituição, pois no livro havia personagens que morriam e ela achava aquilo impróprio para a minha prima (na época com 5 anos). Eu acho muito exagero, a morte deve sim ser exposta à criança, ela deve ter contato com a realidade, apesar de numa forma mais branda que o adulto, mas ela deve aprender a lidar com estas questões, é muito importante a criança perceber que a vida real tem seu lado bom, mas também um lado mau, muito mau, e que está presente no nosso cotidiano.

Wander - qual sua relação com a literatura fantástica?
Amanda -  Wander, sendo fiel à minha "irreverência", eu não gosto de me sujeitar a um limite criativo quando estou escrevendo, e por isso um dos gêneros com que mais me identifico é com a literatura fantástica. Eu quase sempre escrevo literatura fantástica, embora meu livro principal (que eu considero Vale dos Segredos, meu filhote favorito [risos]) é suspense com um toque policial, mas não deixa de ter seu conteúdo fantástico (que será bem mais explorado no  2 º volume, já que a personagem do 1º é cética e desacredita tudo o que ocorre ao seu redor).

Wander - como pesquisador do gênero, tenho percebido que há muita divergência entre críticos e autores sobre a sua definição. Para você, o que é o fantástico?
Amanda - em síntese, para mim, fantástico é tudo o que contraria a realidade ou os padrões aceitos pela fisica; pode ter seus subgêneros dependendo da temática, como o paranormal, criaturas sobrenaturais, etc, mas é um dos gêneros mais livres de todos, pois permite a criação em toda a sua abrangência.

Wander - atualmente o gênero anda em alta. A que você atribuiria essa situação?
Amanda - justamente pela facilidade de criação dentro do fantástico, que é ilimitada. Já um texto Sci-Fi, por exemplo, demanda pesquisa e muito mais suor por parte do escritor, caso queira integrar algo dentro do gênero, porque é um universo restrito, tudo precisa ser repensado para estar dentro de um padrão aceitável, deve-se criar dentro das possibilidades; agora a literatura fantástica, apesar de ser mais fácil de se escrever, pode ser de má ou boa qualidade, e eu acredito que uma estória amparada pela história terá sua qualidade elevada, sempre. Escrever por escrever é muito fácil, e qualquer coisa pode ser considerada literatura fantástica, mas nem por isso o texto apresentará qualidade - aliás, justamente por este leque imenso de possibilidades é que se destacar no fantástico é mais difícil - "vencerá" quem for mais criativo e, é claro, souber unir com uma boa dose dessa criatividade o fantástico à realidade.

Wander - pergunta de praxe: o que você anda lendo e ouvindo?
Amanda - estou batendo o recorde [risos]. De segunda para cá eu li Cira e o Velho, do Walter Tierno (indicadíssimo), Dois Minutos de Gasolina para a Meia-Noite (do Ricardo Carlaccio, muito bom!), Ventos Poéticos, organizado pelo Cristiano Rosa, e estou quase terminando o livro Capitão, do Sérgio Prado, que comecei a ler hoje. Quanto à música, esta semana ouvi Pink Floyd para bebês, com minha filha [risos], Foo Fighters e Rihanna - tá, eu também gosto de porcaria [risos].

Wander - fale um pouco dos seus projetos, o que podemos esperar para o futuro?
Amanda - eu fui convidada para duas antologias Sci-Fi (ainda não posso revelar os nomes), mas meu conto dependerá de aprovação. Se der certo, estarei nas duas ano que vem. Meu livro, Vale dos Segredos, também tem previsão de publicação para o ano que vem e eu estou escrevendo o segundo (embora com passos de tartaruga), chamado Alucinações do Escuso. Como trabalhos de maior cunho, estou organizando, ainda, uma antologia chamada Mil e Uma Mortes, que será uma recriação de As Mil e Uma Noites e contará com grandes autores que têm se destacado no círculo da literatura fantástica.

Wander - ia perguntar exatamente sobre esta adaptação de As mil e uma noites. Vi um vídeo de uma entrevista sua sobre o assunto. É um projeto interessante e, me parece, audacioso. Você pode discorrer um pouco sobre ele?
Amanda - claro, você já deve ter percebido como eu gosto de falar de mim (ou dos meus projetos [risos]). Então, este é um projeto realmente audacioso, e quero não apenas captar a essência da original produção d'As Mil e Uma Noites, com seus contos de fundo erótico, como também aumentar a aura sombria dessas estórias. Alguns autores já me apresentaram ideias muito interessantes, e nada fugirá do mundo árabe, porém a história de Sheerazade e Chariar estará invertida: por causa de uma vingança arquitetada por Sheerazade, Chariar agora está amaldiçoado, com o dever de narrar um conto por noite a um gênio traiçoeiro que, se não ficar contente com as histórias, devorará o reino inteiro antes que amanheça. Só que o gênio, enquanto ouve a narrativa, terá o direito de devorar uma vítima, oferecida a cada noite, e esta vítima deve ser mantida até o final da história para saciar o gênio - do contrário, todos pagarão.
Daí a origem do nome: Mil e Uma Mortes.

Wander - a literatura contemporânea, não necessariamente a fantástica, vai bem? Discorra um pouco sobre sua percepção dela. 
Amanda - nesta pergunta você se refere ao que estou lendo ou escrevendo?

Wander - lendo. Ou ouvindo de criticos, outros autores...
Amanda - eu tenho dado preferência aos livros que adquiri recentemente em eventos, e a maioria deles é de literatura fantástica; admito que me afastei um pouco do resto, porém o que vejo que está tendo um ótimo amparo da crítica é o Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, do Leandro Narloch, que já li e achei muito bom - bem escrito, interessante e bastante sólido, com apresentação de documentações e da extensa fonte de pesquisa do autor. Como sempre, fugindo do convencional [risos]. Fora isso, tenho notícia de colegas autores que estão obtendo ótimas colocações em concursos, como o amigo Jádson Neves, que obteve 1 º lugar no Ignácio Loyola Brandão, e o Edweine Loureiro que, mesmo estando lá no Japão, vive entre nós através dos concursos literários, presentando-nos com bons contos. Sinceramente, eu não saberia falar muito de escritores contemporâneos que não estejam próximos de meu círculo. Sei dos antigos e dos internacionais, mas fora isso eu realmente não saberia opinar. Até vejo este como um ponto meu que precisa de atualização - sou meio distante de rádios, jornais e televisão, fico desligada do mundo.


Wander - e a música?
Amanda - eu não posso dizer que sou eclética e posso até ser linchada por dizer isso, mas odeio samba, pagode, axé, sertanejo e afins. Funk eu curto o ritmo, mas detesto as letras nacionais. Sou amante do rock, principalmente de Carpenters, Blackmore's Night, Nine Inch Nails e os clássicos em geral, gosto de MPB, mas das fases mais antigas de prodígios como Chico Buarque, Marisa Monte, Gilberto Gil (sim, ele teve sua fase boa), Boca Livre, Beto Guedes, Ney Matogrosso, Cazuza, Raul Seixas, enfim, posso citar vários, mas serão semelhantes na qualidade aqui apresentada [risos].


Wander - que conselho você recomendaria ao escritor iniciante?
Amanda - então, eu aconselho os iniciantes a começarem sua incursão na literatura através dos inúmeros concursos existentes, que leiam mais ou na mesma proporção com que escrevem e que escrevam um pouco todos os dias, acho que estes três passos são fundamentais para quem quer angariar boas publicações.

Wander - por fim, deixe uma mensagem aos leitores do blog.
Amanda - eu gostaria de agradecer aos leitores pela paciência de ler uma entrevista tão grande [risos], e também dizer que as duas peças fundamentais da literatura são o escritor e o leitor - a existência de um sempre dependerá da do outro, e é por isso que eu estou feliz de poder fazer parte deste inteiro, que só é completado por vocês. Então, por favor, nunca deixem de ler!

Wander - obrigado!
Amanda - ao seu dispor! xD

Fotos cedidas pela entrevistada.


Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More