26/08/2011

Erotilha: o que é isso?

Falemos da poesia - dela mesma, como tanto pregou o bom e velho Aristóteles. Este post servirá para explicar algumas coisas interessantes que venho fazendo.
Aos que já conhecem e tem visitado o blog Tergiverso, espécie de extensão deste, mas voltado apenas para a produção de poesia, em sua maior parte erótica, já deve ter percebido que há também muitos poemas construídos em cima de formas fixas. Amparar-se em formas fixas é sempre uma maneira diverida de desafiar-se e a seus procedimentos estético-criativos. Assim, há quem prefira usar o bom e velho soneto, há quem subverta sua estrutura criando novos padrões rítmicos e há quem arranje organizações pouco convencionais, a exemplo do amigo Joedson Adriano, com seu salgado estilo novo. Procurando uma maneira divertida de fazer poemas, posso dizer que organizei uma pequena organização, a que batizei de erotilha. 
Tomo como exemplo o poema "Ferrão", que você também pode encontrar no blog:

FERRÃO

Senti tremer sua corola
na hora em que te toquei
com feixes de ferroadas
em cada pólen que vi...

Feixes-dedos rijos
violam a violeta:
mel que desabrocha

numa colcha grossa
cobre essa gaveta
que é minha volúpia!

A erotilha (dei esse nome por trabalhar com essa organização em quase todos os poemas eróticos) consiste em três estrofes, sendo a primeira um quarteto de redondilhas maiores, enquanto os dois tercetos são feitos de redondilhas menores. Entretanto a coisa fica um pouco mais complicada de fazer quando imponho certos requisitos às rimas. Note que as rimas da primeira estrofe são internas: a última palavra do primeiro verso rima sempre com a primeira ou segunda palavra do verso seguinte, repetindo o paradigma até o quarto verso, em que a palavara do fim rima com a primeira do verso inicial. Destaquei as rimas em cores para facilitar a visualização. Já nas estrofes seguintes temos algo curioso: o terceiro verso da segunda estrofe rima com o o primeiro da terceira, o segundo rima com o segundo da outra, enquanto - o mais estranho, o primeiro verso da segunda não rima com nada, o que "quebra" propositalmente a harmonia melódica do poema, como se todos os poemas terminassem com uma "nota fora". O emparelhamento das rimas ficaria mais ou menos assim: ABC - CBX, onde X representa a quebra da sonoridade consonante.
De certo, nem sempre obedeço ou consigo obedecer esse modelo, mas há sempre a premissa de encaixar um tema neste molde desafiador. Gostou? Que tal desafiar-se também, neste molde? Se preferir, você que escreve poesia pode criar sua própria cara. E aí? Vai encarar? 

2 pitacos:

esquema curioso Wander. Tua poesia erótica vem me surpreendendo a cada leitura.
PS: trabalhar tem um ç sobrando.

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